domingo, 2 de setembro de 2007

Grito dos Excluídos

Dia 07 de setembro acontece o "Grito dos Excluídos". A manifestação é projeto da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) como consta no número 129 do Projeto Rumo ao Novo Milênio: “O Grito dos Excluídos será celebrado anualmente, em nível nacional, no dia 7 de setembro, retomando preferencialmente o tema da Campanha da Fraternidade” (PRNM, CNBB, pág. 44).

Visitando o site do "Grito dos Excluídos", notamos que desse evento apoiado pelos Bispos Brasileiros (não todos obviamente, há heróicas excessões) também participam grupos que de católicos não tem absolutamente nada. Podemos citar o MST (organização comunista especializada em invadir propriedades alheias), a Marcha Mundial das Mulheres (grupo que apóia o lesbianismo e o aborto), a ONG feminista SOF, e o site Adital (site premiado pela CNBB que defende teses comunistas já condenadas pela Igreja e tem entre seus principais articulistas Leonardo Boff, o ex-frei Betto e o monge-de-camdoblé Marcelo Barros).

É um absurdo que a CNBB se una a tais grupos nesse evento que pode ser qualquer coisa, menos católico.

Mas, o "Grito dos Excluídos" é definido em seu site como "uma grande manifestação popular para denunciar todas as situações de exclusão e assinalar as possíveis saídas e alternativas".

E se é para "denunciar todas as situações de exclusão", creio que muitos outros excluídos - excluídos inclusive pela CNBB e pelo "Grito" - poderiam e deveriam dar seu grito...

  • Nosso Senhor Jesus Cristo, excluído do "credo dos excluídos"(* );
  • os católicos excluídos do conhecimento da Verdade, que vagam perdidos a buscá-la, mas sem encontrá-la na maioria das paróquias, pois estão contaminadas pelo relativismo da Teologia da Libertação;
  • os inocentes criminosamente excluídos precocemente do ventre materno e que não terão lugar nessa manifestação, pois organizações abortistas tomaram parte do "Grito";
  • os católicos excluídos de uma boa e santa confissão, pois um grande número de sacerdotes agem mais como psicólogos do que como administradores do Sangue de Cristo, parecem inclusive nem crer mais no sacramento que ministram (particularmente tenho um triste histórico de confissões completamente inválidas por defeito de forma, ou seja, sacerdotes que não dizem o mínimo necessário para a validade do sacramento: "Eu te absolvo dos teus pecados");
  • os católicos excluídos de uma celebração digna da Santa Missa conforme o Missal promulgado pelo Papa Paulo VI, pois é uma missão quase impossível encontrarmos uma Missa celebrada dignamente e conforme prescreve as rubricas do referido Missal;
  • os católicos excluídos da possibilidade de ter acesso a uma Santa Missa celebrada em Latim, conforme o expresso desejo do Concílio Vaticano II, de João Paulo II e de Bento XVI;
  • os católicos excluídos da celebração da Santa Missa conforme o Missal promulgado pelo papa São Pio V, cuja celebração foi completamente liberada por Bento XVI através do Motu Proprio Summorum Pontificum, infelizmente no Brasil esse documento vem sendo silenciado e as vezes até ironizado por boa parte do clero;
  • os católicos excluídos de um conhecimento claro da Fé Católica, pois a catequese de crianças, jovens e adultos está completamente infestada de modernismo e Teologia da Libertação;
  • os católicos excluídos de uma Quaresma piedosa e permeada de meditações sobre a Paixão de Nosso Senhor, pois no Brasil é mais importante tratarmos de amenidades terrenas do que do Sacrifício do Calvário, é mais importante preocupar-se com a devastação das Amazônia do que com a devastação que as almas sofrem pela falta da Verdade, pela falta de Cristo;
  • os católicos excluídos de uma vida paroquial normal, pois precisam se deslocar por grandes distâncias para ter uma boa confissão e/ou uma boa Missa;
  • as famílias tradicionais praticamente excluídas de nossa sociedade incentivadora da promiscuidade, do homossexualismo e do divórcio;
  • ...

Quem desejar, comente, deixe seu grito que incluirei na lista.


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(* ) Credo sugerido pela CNBB para as celebrações do "Grito dos Excluídos":

8. Proclamação de Fé e Esperança

Cremos em Deus, coração materno, criador do Céu e da Terra.
Cremos na força do mutirão e na força profética do povo organizado
Cremos na força dos pequenos que inventam e recriam, pois nosso Deus derruba do trono os poderosos.
Cremos num “trem de esperanças” quando o povo grita nas ruas.
Cremos no grito das mulheres exigindo respeito e dignidade.
Cremos no grito da criança, do adolescentes dos jovens.
Cremos no pão partilhado, nas alternativas de economia popular solidária,
Cremos no povo que resgata suas raízes. Por isso, cremos na mudança que vem dos pequenos e excluídos.
Creio em todos e em todas nós aqui presentes.
Cremos na comunhão fraterna entre Credos e Igrejas, acreditando que o ecumenismo vem na prática.
Cremos que as lutas de nossas comunidades e organizações são sementes do presente para germinar árvores de vida em abundância, e alegria no rosto de nossa gente!

3 comentários:

Wagner Moura disse...

Então, onde mesmo estão os bons bispos que - aparentemente - nada fazem para impedir essas coisas? Se encontrá-los, mande lembranças.

Anônimo disse...

Paz e bem.

Que a atuação do Bispado da CNBB (que possui alguns pouquíssimos e piedosos bispos) é sempre medíocre, quando ainda não está numa alinha abaixo desta, o que me deixa ainda mais triste é ver um grande link na página da Diocese de Santo Amaro desse malfadado grito.

Tsc.

Pax.

Marcelo
Pro Catholica Societate

Eduardo Araújo disse...

Caríssimos,

Saudações em Cristo.

Há algo de muito errado no clero católico - ressalvadas as honráveis exceções mencionadas pelo Luís e buscadas pelo Wagner (com o qual faço coro).

Percebe-se uma nítida tomada de posição, quando por exemplo D. Odilo Scherer nega o mínimo apoio ao movimento Cansei! sob a alegativa de neutralidade política e agora é partícipe ativíssimo nesse Grito dos Excluídos, diga-se, uma das manifestações mais anticatólicas que já se fez no país.

Como não emprestar crédito ao alerta de que nossa Igreja sofre de uma infiltração que pretende sorrateiramente destruir seus pilares a partir de dentro? Para mim não resta dúvida da penetração marxista e ao que parece também feminista, o que soa inacreditável face aos pressupostos odiosos contra o Cristianismo, em particular, contra a Igreja Católica.

Em meio a esse quadro, faço minha a indagação do Wagner - onde estão os bons bispos que deveriam zelar pela Igreja contra os que são contra seus princípios?

Já somos tão atacados de tudo quanto é lado - ateus, agnósticos, protestantes, espíritas, até outros ditos "católicos". Somos um verdadeiro boi de piranha na defesa dos princípios cristãos. Numa hora dessas, somos nós e mais ninguém do nosso lado. Cadê, então, os que deveriam assumir publicamente nossa defesa? Estarão em conluio com os protestantes e espíritas que berram em profusão quando é para nos atacar, mas que SOMEM quando deveriam nos apoiar numa causa comum?