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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Debate com protestante

Outro dia, vasculhando as entranhas de meu computador em busca de um artigo apologético que eu sabia ter salvo em algum lugar, acabei encontrando esse pequeno debate que travei com uma protestante há alguns anos.

Não foi o único debate que tive com protestantes. Mas esse me chamou a atenção agora porque foi nele que comecei a me aprofundar nesse tema da Sola Scriptura.

De fato, ficar discutindo imagens, Nossa Senhora, intercessão dos santos, sacramentos, etc.. etc... etc... dificelmente dará algum fruto de conversão. Bom mesmo é dar uma machadada certeira na raiz de todo o problema: a Sola Scriptura.

É muito interessante perguntar para um protestante: "Qual a coluna e sustentáculo da verdade?". E o sujeito responder sem pestanejar: "A Bíblia!"

É mesmo? Então porque São Paulo diz que a "Igreja do Deus Vivo é a coluna e sustentáculo da Verdade" (1Tm 3,15)?

Conforme já comentei aqui no blog, o ex-protestante Scott Hahn se converteu por causa dessa pergunta!


O que ela escreveu está em vermelho.

Segue o debate...


Não posso defender o papa pq eu não o aceito como meu líder, e não concordo em nada com as doutrinas católicas, haja visto estarem muito distantes da Bíblia (como eu já te disse algumas vezes).


Ok, você não aceita o Papa como líder. Aqui, então, temos um problema...

É inegável que Nosso Senhor deixou a Pedro a missão de pastorear Seu rebanho (Jo 21, 15-17). Aqui há, portanto, duas hipóteses (e eu gostaria de saber o que você tem a dizer a respeito, se aceita uma das duas ou professa uma terceira hipótese):

1- Cristo deu esta ordem somente a Pedro, sendo assim, não há sucessores nesta missão. Caso seja essa sua interpretação, poderia me apresentar a base bíblica para sustentá-la?

2- Esse mandato não era somente para Pedro, sendo assim, há sucessores do Apóstolo ao longo dos séculos pastoreando o rebanho de Nosso Senhor. Assim, quem seria esse sucessor hoje? (não precisa provar que não é o papa, pois estou pedindo algo positivo, ou seja, quem é o sucessor)


"Porque pela GRAÇA (ajuda a quem não mereçe) sois salvos, por meio da FÉ. e ISSO NÃO VEM DE VÓS, é dom (presente) de DEUS. Não vem das OBRAS (boas obras) para que ninguém se glorie." Efésios 2:8-9

O catolicismo ensina que a salvação tbm depende de obras e a Bíblia não diz isso em lugar nenhum...



Você não pode isolar esse versículo de todo o contexto bíblico...

Não há dúvidas de que a salvação do homem é tão somente iniciativa e dom de Deus. Ninguém pode comprar a salvação; ninguém pode, somente pelas obras, merecer a vida eterna (Rm 11,6). Mas que elas são necessárias, isso o próprio São Paulo afirma no versículo seguinte, que você esqueceu de citar: “Pois somos criaturas d'Ele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas”.

Ora, está escrito que fomos criados para as boas obras e Deus as preparou para que nelas andássemos, como você pode afirmar que elas não são necessárias? Acaso Deus nos criou para algo inútil? Nos preparou um caminho desnecessário?

Não obstante o exposto, digo que a este ensinamento está de acordo a contundente carta de São Tiago: “De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-los?(...)A fé, se não tiver obras, é morta em si mesma” (Tg 2, 14.17).

Ou seja, ninguém se mantém na justiça recebida se professa a fé sem a viver adequadamente ou sem a traduzir em boas obras, que, conforme São Paulo, foram preparadas pelo próprio Deus. Diz ainda e muito sabiamente São Tiago que os demônios tem fé, mas está fé de nada lhes serve, estremecem porque não têm conduta de vida correspondente a essa fé (Tg 2,19).

Por fim, em Mateus 25, 31-46 Nosso Senhor Jesus Cristo deixa bem claro que sem as obras de nada adianta a fé, e a condenação será certa.... Fica claro por esse trecho evangélico que "Deus retribuirá a cada um segundo suas obras" (Rom. 2, 6)


Eu creio na Bíblia que diz que a salvação se ganha através de Arrependimento (de uma vida sem se preocupar em agradar a Deus; vida de pecado) e Fé (confiança no sacrifício de Jesus ao pagar nossos pecados).

Ok, concordo, pois está escrito “convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15).


No evangelho de João, na conversa de Jesus com Nicodemos, Ele diz que é necessário nascer de novo para não sermos condenados. Ele se refere ao momento da conversão, onde renegamos a velha vida de pecado, pedimos a Jesus para ser nosso ÚNICO E SUFICIENTE salvador e Senhor (dono) a partir daquele momento. Tbm recebemos o Espírito Santo q é o espírito de Jesus, o qual nos ajuda a entendermos a Palavra de Deus entre outras funções... No final da conversa Jesus fala que quem não crer já está condenado, ou seja, quem não passar pela conversão, pelo Novo nascimento, não entrará no Reino dos Céus...

Não! Nosso Senhor não se refere ao momento da conversão, se refere na verdade ao Batismo! Ele afirma, e você novamente esqueceu de citar o trecho, que “quem não renascer DA ÁGUA e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus” (Jo 3, 5). Ok, de fato Jesus afirma que quem não crer já está condenado, mas essa afirmação não pode ser isolada totalmente do que Ele próprio diz em Mt 16, 15-16: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem CRER E FOR BATIZADO será salvo, mas quem não crer será condenado”.

Veja que Nosso Senhor afirma ser necessário o batismo ao lado da fé. Foi Ele quem colocou essa condição!


Vc já se reconheceu pecador?

Sim.

Já reconheceu Jesus como único Salvador?

Sim.

Vc nasceu de novo? Pense nisso...

Sim, através “da água e do Espírito” conforme ensinado por Cristo.

O batismo (que significa mergulho em grego) é simbolo de um enterro.

Ao me batizar eu declaro que morri para a velha vida de pecado e ao sair da água eu ressucitei para uma nova vida com Cristo, de obediênca a Ele..

A Bíblia fala de muitos batismos, mas as pessoas se batizavam DEPOIS de se arrependerem e crerem em JESUS como Salvador! Primeiro a conversão e depois o batismo!!
Batizar um bebê que não tem noção da vida e não sabemos se ele virá a aceitar Jesus como Salvador é um absurdo
!

Absurdo é negar a uma criança graça lucrada por Cristo na Cruz.

Que arrependimento e fé são exigidos de adultos ninguém contesta, também na Igreja Católica ninguém é batizado contra a vontade e sem professar a fé. Logo, quem se batiza na Igreja Católica se converteu e crê no Evangelho.

Quanto as crianças... em primeiro lugar não podemos esquecer que o Antigo Testamento é prefiguração do novo (Col 2,11-12).. Na Antiga Aliança Deus mostrou ao seu povo que queria que as crianças estivessem em aliança com Ele.... e o modo de sinalizar essa aliança era com a circuncisão. Assim, a circuncisão era o sinal de pertencer ao povo judaico descendente de Abraão, e, ao mesmo tempo, era o sinal de pertencer a religião do verdadeiro e único Deus, pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Na nova Aliança feita por Cristo, o fato de pertencer à Fé verdadeira já não devia ser feito por um sinal material, mas espiritual, que era o batismo de Cristo. E é digno de nota que não encontramos nenhum texto em que as crianças devam ficar excluídas da Nova Aliança, muito pelo contrário: “Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque delas é o reino dos céus (Mt 19, 14).”

Fiel ao Mestre, Pedro ensinou que “a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos...” (At 2, 39). E há indícios de que crianças foram batizadas em At 16,14-15; At 16,31-33; At 18,8 e 1Cor 1,16.

Sim, indícios apenas. Sinta-se a vontade para provar-me que não haviam crianças nos batismos citados acima...

Na Igreja Católica as crianças são batizadas sob a séria promessa dos pais que a educarão na Fé Católica (e, por favor, não diga algo como “então tudo bem, a fé católica não é cristã mesmo... entenda o que estou dizendo com Fé Católica). E isto está de acordo com o que expliquei acima sobre a circuncisão ser prefiguração do Batismo... ora, quando uma criança era circuncisa, não havia garantia de que seria fiel a Deus! Ela era circuncisa com base na fé dos pais.

O problema aqui é sobre a eficácia do Batismo. Para um batista ele é meramente um símbolo, para um católico ele é regenerador, ou seja, transmite a graça que sinaliza.

Por considerá-lo meramente um símbolo da conversão e adesão a Cristo, não vocês aceitam que uma criança possa ser batizada.

Mas a verdade é que o Batismo não é meramente um símbolo (Tt 3,5; At 22,16) . Se o Batismo não agisse na alma do fiel, não haveria necessidade de Nosso Senhor colocá-lo como condição para a salvação! (Mt 16, 15-16)


Jogar água na cabeça tbm foge totalmente do que simboliza o batismo (morte/enterro e ressurreição para um nova vida)..

Como disse, o batismo transmite a graça que sinaliza. Assim, a água é um mero símbolo visível da graça invisível que está agindo. Logo, tanto faz se está sendo derramada na cabeça ou se a pessoa está mergulhando em uma piscina... O problema, como salientei acima, é a diferença na nossa compreensão do que seja o batismo.

Pra você ter uma idéia, a água sequer é necessária em casos especiais. A Igreja Católica reconhece três formas de batismo:

- batismo com água (o mais comum, obviamente)
- batismo de desejo (o do “bom ladrão” por exemplo, ou seja, quem se converte mas morre antes de ter tido a oportunidade de se batizar)
- batismo de sangue (dos mártires não batizados, pessoas que morreram defendendo a Fé muitas vezes antes de terem se batizado com água)


Batismo não salva. Quem salva é Cristo!

Correto! A graça que nós católicos acreditamos ser transmitida no batismo deriva diretamente no Sacrifício de Cristo na Cruz.

Sem querer entrar no tema de sacramentos, apenas para você entender melhor o catolicismo nesse ponto: os sacramentos católicos não agem de forma independente de Cristo... pelo contrário, estão intrinsecamente unidos à Cruz de Nosso Senhor. Então, se for entendido como mero símbolo, o batismo não salva. Mas nós católicos dizemos sem grandes problemas que o batismo salva porque é através dele que lucramos os méritos do Sacrifício de Cristo.

Se eu me converter a Cristo hoje e morrer amanhã, e não tiver temop de me batizar? Vou para o inferno?? Pense na resposta..

Estou tomando essa pergunta de forma hipotética, pois em última instância só Deus sabe da conduta de cada um até o último instante de vida. Assim, nem preciso pensar muito para responder: não. É o batismo de desejo que expliquei acima.

Se for batizada quando bebê e ao me tornar adulta viver uma vida podre sem se preocupar com o que Deus pensa.. Vou para o céu?? Pense na resposta...

Idem a anterior sobre ser uma pergunta hipotética, sendo assim também não preciso pensar muito na resposta: não.


Creio no que diz a Bíblia..

"Só há um mediador entre Deus e os homens - Jesus Cristo homem"..

"E em nenhum outro há salvação, pq tbm debaixo do céu nenhum outro nome há dado entre os homens pelo qual devamos ser salvos" Atos 4:12

Maria não é mediadora, e nem pode rogar pelos pecadores. Só Jesus tem esse poder!


Não entendi bem qual ponto da Fé Católica você está se referindo com essa citação...

“Em nenhum outro há salvação”... Ok, e por acaso a Igreja Católica busca salvação em alguém que não seja Jesus Cristo? Sim, porque esse trecho não está falando de orações intercessórias, mas sim em quem devemos buscar a salvação.


Jesus foi o único que nunca pecou...

Sério? Não é isso que Bíblia ensina....

"Pois todos pecaram e carecem da gloria de Deus" (Rm 3,23)

“Porque todos pecaram" (Rm 5,12).

Longe de mim afirmar que Cristo era pecador. Mas é fato que a Bíblia afirma que TODOS pecaram... Você consegue dar uma boa interpretação para isso SEM RELATIVIZAR o texto bíblico? Por que se você puder relativizar, eu também poderei em alguns outros pontos polêmicos (imagens, por exemplo).


Etc..Etc..Etc..

Apenas algumas das muitas divergências entre nossas crenças...

E todas minhas afirmações a respeito do que creio posso provar na Bíblia que é a Palavra da Verdade, a qual não podemos tirar ou acrescentar nada...

Será mesmo que você pode provar tudo o que crê com a Bíblia?

Nossa maior e fundamental divergência não são os pontos expostos acima. Mas sim a doutrina da Sola Scriptura, ou seja, a Bíblia é a única e suficiente fonte de fé. Já lhe adianto: a Bíblia não ensina a Sola Scriptura!

Caso contrário:

Você poderia me mostrar onde a Bíblia ensina que ela mesma é única e suficiente para a fé?

Você poderia me demonstrar com a Bíblia que os livros que compõe essa mesma Bíblia são inspirados? Por exemplo, por que aceitar que a Carta aos Hebreus ou a III Carta de João são livros inspirados e dignos de constarem no cânon bíblico? Ou ainda, porque aceitar o Evangelho e os Atos dos Apóstolos, escritos por Lucas, se este nem um dos doze apóstolos era?

Em resumo, em que autoridade você se baseia para aceitar esses livros como inspirados?

Fique à vontade para responder as minhas explicações sobre os pontos que você levantou inicialmente, mas tenho quase certeza que não renderão nada... Sempre cairemos no problema de ser ou não a Bíblia a única fonte de fé. Então acho que seria mais produtivo se concentrar nas perguntas que levantei acima. Mas sinta-se à vontade...


Não estou dizendo isso para te magoar ou mostrar meu conhecimento.. Nada disso.. Apenas não posso me calar diante de algo que considero tão importante, como a SALVAÇÃO.

Pense nisso... leia sempre a Bíblia. Siga a Bíblia, não opiniões e idéias de instituições seja ela qual for...

Igreja não salva, mas se for bíblica, nos ensinará a servir a Deus da melhor maneira possível...

A Bíblia eu leio freqüentemente.

E pelo menos uma instituição eu posso dar total crédito: “A Igreja do Deus Vivo, coluna e fundamento da verdade” (I Tm 3,15).

Ora, se essa Igreja do Deus Vivo é a coluna e o fundamento da verdade (e não a Bíblia!!!), nela eu posso colocar toda a minha confiança. Nela a verdade é sustentada e fundamentada com clareza, vigor e inerrância.

A propósito, na sua interpretação, onde eu posso encontrar essa Igreja do Deus Vivo citada pelo Apóstolo Paulo? Não imagino que seja uma igreja local porque é uma missão muito grande... e não vejo vocês fundamentarem sua fé em uma igreja local... Também não imagino que seja uma igreja universal visível porque vocês simplesmente não acreditam nisso, afirmam ao contrário que a igreja é a união invisível de todos os que professam ter Jesus como único Senhor e Salvador.... sem uma liderança visível.

Logo, repito, onde eu posso encontrar essa Igreja do Deus Vivo, que, com São Paulo, eu possa chamar de coluna e fundamento da verdade? Uma Igreja em que eu possa aprender com ela com total confiança, pois ela sustenta a Verdade.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Contra a Igreja vale qualquer coisa

Outro dia, enquanto tomava um café na cantina da faculdade onde curso pós-graduação, ouvia um colega de curso fazer alguns comentários de cunho religioso para outra colega. O sujeito, já de meia idade, é até bastante culto mas afeito a "espiritualidades".

Até então não dava muito atenção à conversa...

Em determinado momento, após uma pausa, o sujeito recomeça seu discurso dizendo: "Eu, por exemplo, ODEIO A IGREJA CATÓLICA" (coloco em maiúsculas para ressaltar a ênfase que ele deu nessas palavras).

Aí eu já dei uma passo para o lado deles e prestei uma pouco mais de atenção à conversa. Ele notou minha aproximação, e sabe que sou católico.

Continuou com uma série de sandices...

"A Bíblia é um livreco de história.."
"A Igreja é interesseira..."
"Jesus nunca foi crucificado..."


Quando ele soltou essa sobre Nosso Senhor eu intervi: "Isso é opinião tua..."

Num primeiro momento ele pareceu ter se surpreendido com minha intervenção, mas insistiu: "Existem registros em livros disso, e só uma pessoa tinha conhecimento desses livros: o papa João XXIII. Sim, porque esse papa era sábio. Esses dois aí... esse que morreu agora e o atual, são dois tolos, dois bobos."

Retruquei: "Meu caro, sinceramente? O único tolo nessa história é você! Primeiro que você não está falando de qualquer 'Zé Mané', mas de dois homens de reconhecida sabedoria e inteligência por católicos e não católicos. E tem mais, tú anda lendo muito Dan Brown. Acreditar nessas histórinhas é coisa pra criança... Como acreditar numa história dessas? Só João XXIII tinha conhecimento desses supostos livros que provavam que Jesus não foi crucificado? Faça-me o favor..."

Ele não se deu por vencido e continuou com imponência: "Sim, pois há muito interesse por trás de tudo isso! A Igreja na verdade é uma farsa, é uma interesseira que vendia lugares no céu. A Bíblia é uma fraude. Olha, por cima eu poderia te apresentar uma 150 contradições nesse livro".

Como essa das contradições é lorota antiga e já refutada, não hesitei: "Pois eu te desafio a me apresentar essas contradiçoes!"

E ele já tinha uma: "Eu não concebo um livro que pregue 'amor ao próximo' em uma página para logo em seguida ensinar o 'dente por dente olho por olho'"

Me segurei para não rir... "Primeiro que você já erra na ordem cronológica, 'amar ao próximo' está beeeeeem depois da Lei de Talião. Segundo... Você sabe o que é exegese? Você sabe o que é hermenêutica? Ou seja, sabe como se estuda a Bíblia? E tem mais, você já parou para analisar o contexto de cada uma desses ensinamentos? Você sabe qual era a missão de Cristo?"

Ele arregou: "Deixa pra lá... Não vou ficar aqui discutindo com você... Todo mundo sabe que futebol, política e religião não se discute"

Adoro quando dizem isso... "Se discute sim! Todo mundo fala de política e futebol. E eu adoro discutir sobre política, futebol e principalmente religião!"

Ele encerrou: "Vou indo..."


Surpreendeu-me muito os "argumentos" do sujeito. Já tinha conversado brevemente com ele sobre assuntos religiosos, e sempre me pareceu ter bem fundamentadas suas crenças e descrenças, pois lê muito. E aí me vem com essas conversinhas furadas sobre a Igreja?

Ele ainda insinuou que eu era um simples produto de educação religiosa familiar. Mal sabe ele que passei minha adolescência longe da Igreja e voltei através dos estudos (na época eu queria provar para um amigo protestante que ele estava errado). E foram esses mesmos estudos que quase me afastaram da Igreja novamente, pois eu levantava muitos questionamentos que nem sempre eu achava respostas facilmente (há 10 anos atrás eu não tinha acesso fácil à internet).

É interessante como alguém que fala tanto na "razão", cai numa historieta dessa sobre esse tal livro que só João XXIII conhecia...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Bíblia Edição Pastoral, por D. Estevão Bettencourt


Bíblia Sagrada. Edição Pastoral


Em síntese: A "Bíblia. Edição Pastoral", em tradução e notas de Ivo Storniolo e Euclides Balancin, não preenche a finalidade que se propõe. Inspirada por ideologia marxista, deturpa as concepções da história sagrada e da teologia; a leitura materialista aplicada ao texto sagrado torna a mensagem imanentista, fazendo-a perder o seu caráter transcendental. O Vocabulário do fim do volume e as notas de rodapé dão as chaves de interpretação dos livros bíblicos; a própria tradução portuguesa, num ou noutro ponto, deturpa o sentido do texto sagrado. Em conseqüência, deve-se lamentar a difusão de tal obra nos ambientes eclesiásticos do Brasil. A Pastoral não significa incitamento à luta de classes e às divisões entre os homens.


* * *


As Edições Paulinas publicaram uma nova tradução da Bíblia dita "Pastoral" (BP), acompanhada de notas de rodapé e Vocabulário, que vem suscitando perplexidade: há os que defendem tal edição, devida a Ivo Storniolo e Euclides Martins BalancÍn, como sendo "o livro ideal" (ver "Jornal de Opinião", 1-7/7/90. p. 3). Mas há também os que a impugnam com argumentos sérios, mostrando graves falhas na inspiração básica e na confecção de tal tarefa. O assunto já foi abordado em PR 337/1990, pp. 285s. Voltamos ao problema, aduzindo novas observações, provenientes, em grande parte, de D. João Evangelista Martins Terra S. J., Bispo Auxiliar de Olinda-Recife, Membro da Equipe Teológica do CELAM e da Pontifícia Comissão Bíblica.



1. Três observações básicas

A tradução do texto bíblico da Edição Pastoral é aceitável com algumas ressalvas, que indicaremos à p. 523s deste artigo. Todavia, as notas de pé de página e o Vocabulário, encontrado às pp. 1616-23, pretendendo dar a chave de leitura e interpretação da Bíblia, são alheios à Tradição bíblica judeo-cristã e distorcem a mensagem sagrada para o setor da ideologia sócio-político-econômica. Sem o perceber, o leitor desprevenido vai absorvendo uma concepção filosófica não cristã sob a capa de Palavra de Deus Isto se depreende facilmente desde que se dê um pouco de atenção ao Vocabulário dessa Edição.

1.1. O elenco do Vocabulário

Eis os principais verbetes que interessam aos estudos e ao linguajar bíblicos ou os principais vocábulos da mensagem bíblica tomada como tal: Aarão, Abel, Abraão, Ação de graças, Adão, Adoração, Adultério, Água, Alma, Anjo. . .

Bem diferentes são os verbetes do Léxico da Edição Pastoral dispostos segundo a ordem alfabética: Aliança, Alienação, Amor, Autoridade, Auto-suficiência. Campo, Celebração, Cidade, Comércio, Compaixão, Comunidade, Conflito, Consciência, Conversão, Corrupção, Dinheiro, Direito, Discernimento, Dominação, Educação, Encarnação, Escravidão, Esperança, Exploração, Fé, Fraternidade, Gratidão, Herança, História, Idolatria, Injustiça, Integridade, Javé, Jesus, Julgamento, Justiça, Lei, Liberdade, Libertação, Liderança, Lucro, Memória, . . . Poder, . . . Produção, Projeto de Deus, Prosperidade, . . . Repressão, . . . Riqueza, Roubo, Tributo, . . . Violência. . . Estes vocábulos têm sua repercussão nas notas de rodapé, inspirando uma doutrinação que já não é bíblica, mas preponderantemente marxista. Os próprios vocábulos tipicamente bíblicos que ocorrem no Léxico Pastoral, são esvaziados de seu conteúdo próprio e característico para assumir significação ideológica. Assim, por exemplo:

"Aliança: É o centro da Bíblia. Deus se alia com os pobres e oprimidos para construir uma sociedade e uma história voltadas para a vida".

Ora é de notar que a Aliança de Deus com os homens não começa na época dos pobres e oprimidos, mas é universal ou destinada a todos desde o início; o segundo Adão, Jesus Cristo, Mediador da nova e definitiva Aliança, tem sua imagem ou seu esboço no primeiro Adão, pai de toda a humanidade, conforme Rm 5,14; é com os primeiros pais que Deus trava a primeira Aliança, voltada para todos os homens, conforme Eclo 17,10.

"Amor: Mistério de Deus e do homem. Gera a relação de onde brotam a liberdade e a vida".

"Celebração: Reunião do povo para comemorar os fatos centrais da vida e conservar a lembrança dos acontecimentos que marcaram a caminhada do povo".

Este conceito se aplica às celebrações cívicas, não, porém, às celebrações litúrgicas, nas quais se torna presente e atuante a Páscoa (Morte e Ressurreição) de Jesus Cristo para fazer que os homens participem da obra da Redenção.

"Esperança: Dinamismo que mantém o povo aberto para realizar plenamente o projeto de Deus. A esperança leva o povo a buscar transformações econômicas, políticas, sociais e religiosas".

Silencia-se o objeto supremo da esperança cristã, que é a vida eterna com a visão de Deus face-à-face.

"Fraternidade: Relação igualitária, onde todos, como irmãos, podem participar das decisões que constróem a sociedade, e juntos usufruir dos bens que cada um produz".

"Javé: É o misterioso Deus vivo que se manifesta respondendo ao clamor dos pobres e oprimidos para os libertar dos exploradores e opressores. Ele é a fonte e a meta da liberdade e da vida. Por isto é aliado daqueles que buscam liberdade e vida, opondo-se a todas as pessoas e estruturas que produzem escravidão e morte".

"Justiça: Realização do projeto de Deus. A justiça se concretiza na partilha e na fraternidade, dirigindo-se a sociedade para a solidariedade e a paz. Exige, para todos, a distribuição igualitária dos bens e a possibilidade de participar das decisões que regem a vida e a história do povo. Na Bíblia a justiça é eminentemente partidária, visando a defender a causa dos indefesos".

Como se vê, os conceitos bíblicos são todos analisados em chave sócio-política, que supõe a luta de classes na sociedade.

Duas noções merecem especial atenção.

1.2. A Revelação

Eis como a apresenta o Vocabulário:

"Revelação: Manifestação de Deus através das realidades da vida e dos acontecimentos da história. Mostra o caminho que o povo deve seguir. Exige a atenção do homem, pois Deus está continuamente se revêlando".

O conceito de Revelação que até hoje se prolonga, é ambíguo. A fé católica distingue:

1) A Revelação de Deus normativa que manifesta o desígnio de Deus e os meios de salvação; encerra-se com Jesus Cristo, como diz a própria S. Es¬critura: "Outrora muitas vezes e de muitos modos Deus falou aos pais pêlos Profetas. No período final, em que estamos, falou-nos por meio do Filho" (Hb 1,1s).

2) Após Jesus Cristo, não há Revelação normativa; Deus proporciona "os sinais dos tempos", que reavivam no homem a consciência das verdades da fé, mas nada acrescentam de novo; estamos nos últimos tempos relativa¬mente à doutrina (cf. 1Jo 2,18).

O Papa Pio X condenou explicitamente a proposição modernista que dizia:


"A Revelação que constitui o objeto da fé católica, não se encerrou com os Apóstolos" (Denzinger-Schönmetzer. Enchiridion n° 3421 [2021}).

O Concílio do Vaticano II reafirmou a clássica doutrina:

"Jesus Cristo aperfeiçoa e completa a Revelação e a confirma com o testemunho divino de que Deus está conosco, . . A economia crista, como aliança nova e definitiva, jamais passará, e não há que esperar nova revelação pública antes da gloriosa manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. 1 Tm 6,14 e Tt 2,13)" (Const. Dei Verbum no 4).

Vê-se, pois, que o Vocabulário da Bíblia Pastoral está longe do genuíno pensamento católico.


1.3. Projeto de Deus

Todo o Vocabulário e as notas de rodapé são perpassadas pela noção de projeto de Deus, que dá o sentido aos demais verbetes. Ocorre mais de seiscentas vezes na Edição Pastoral, e até mesmo cinco ou seis vezes na mesma frase.

Ora "projeto de Deus" no contexto dessa obra não é uma noção teológica; não significa nem Providência nem desígnio de Deus, mas, sim, algo de tipicamente marxista, como se depreende a seguir:

"Projeto de Deus: Aliando-se aos que são marginalizados pelo sistema injusto. Deus entra na história com novo caminho: promover a liberdade e a vida para todos. Todavia esse projeto está sempre em conflito com o projeto das nações que alicerçam sua riqueza e poder sobre a escravidão e a morte do povo. A luta para manter vivo dentro da história o projeto de Deus é o ponto de honra do povo de Deus".

Como dito, a expressão "projeto de Deus" entra na composição de muitos outros verbetes do Vocabulário como um chavão ideológico. E is alguns espécimens:

"Comércio: Atividade econômica fundamental da cidade, destinada. . . a gerar lucro, exploração e riqueza. No projeto de Deus, o comércio é superado pela partilha e gratuidade".

"Conflito: Choque entre grupos que têm objetivos e interesses diferentes. Na Bíblia, o principal conflito aparece entre o projeto de Deus para a vida e os projetos da auto-suficiência, que geram a morte".

"Consciência: Compreensão que o povo tem da realidade, a partir do projeto de Deus. Ela demitiza a ideologia da classe dominante, e cria discernimento para se construir uma sociedade fundada na justiça e na fraternidade".

"Educação: Relação entre gerações (pais-filhos), na qual se transmite a memória das lutas do povo, a fim de que a nova geração aprenda com os erros e acertos de seus pais. Dessa forma, a nova geração poderá criar caminhos novos e alternativos para realizar o projeto de Deus na história. As tradições da Bíblia se conservaram graças a esse processo".

"Encarnação: Deus encarna-se na vida e na história humanas, mostrando o valor inestimável que elas têm diante dele. A coerência com a fé exige que nos encarnemos também para que o projeto de Deus transforme as estruturas políticas e econômicas, dirigindo a história para a liberdade e a vida".

"Propriedade: O direito de propriedade é sagrado, e o mundo deve ser igualitáriamente distribuído entre todos. A acumulação de propriedade, formando latifúndios, e a especulação imobiliária são contrárias ao projeto de Deus".

"Ressurreição: Passagem da morte para a vida. Não se refere apenas à morte física, mas a todas as mortes geradas por projetos contrários ao projeto de Deus".

"Sociedade: Grupo humano que realiza um projeto em comum, organizado em nível econômico, político, social g ideológico. Nem sempre a sociedade vive o seu projeto de acordo com o projeto de Deus, que provoca transformações profundas nas relações sociais".


Estes poucos espécimes mostram que a mensagem bíblica é toda repensada e posta estritamente a serviço de transformações sócio-político-econômicas imanentes, sem que haja acenos à transcendência para a qual devem caminhar o homem e a história. A justiça e a reta ordem social neste mundo são germens do Reino de Deus, que só estará consumado no fim dos tempos ou no Além, jamais no decorrer da história. O materialismo marxista é que julga poder prometer a plena realização das aspirações dos homens no decurso da história mediante a redistribuição dos meios de produção material.



2. A filosofia subjacente


Quem lê atentamente os verbetes do Vocabulário e as notas de rodapé da BP verifica que são devedores ao que se chama "a leitura materialista da Bíblia". Esta não nega Deus e os valores espirituais, mas julga que são "superestrutura" ou derivados da "infra-estrutura" ou do jogo dos bens materiais no curso da história. Com outras palavras: supõe que os fatores decisivos da história sejam de ordem material (econômica) e política; a procura de posse dos bens materiais e do poder moveria todos os acontecimentos da história e condicionaria a crença em Deus, o culto religioso e a definição das normas morais. Adotando teses do marxismo, os fautores da leitura materialista da Bíblia contrapõem entre si campo e cidade, como, aliás, fazem l. Storniolo e E. Balancin:

"Campo: É o polo fundamental da produção que sustenta a vida. É explorado pela cidade".

"Cidade: Lugar da riqueza e do poder, que se concentram na mão de poucos, produzindo conflitos, principalmente com o campo" (p. 1616).


Partindo destes conceitos, os autores das notas da BP comentam o texto bíblico de maneira artificial e deformante:

Assim, por exemplo, o livro do Gênesis refere que Lote se separou de Abraão, ficando aquele com as cidades, e este com os campos. A nota a Gn 13,1-18 diz então o seguinte: "Ló escolhe a região onde estão as cidades; assim ele entra no âmbito de uma estrutura que se sustenta graças á exploração e opressão do povo. Abraão, ao invés, fica aberto para uma história nova, fundada unicamente no projeto de Deus" (p. 26).

O comentário de Js 4,1-24 justifica a partilha da terra de Canaã pêlos filhos de Israel nos seguintes termos:

"Antes da instalação de Israel, Canas era um conjunto de cidades-Estado que oprimiam e empobreciam a população camponesa, através do sistema tributário. A conquista realizada por Israel derrotou esse sistema e implantou o sistema das doze tribos. . . , visando construir uma sociedade justa e igualitária. . . A nova geração deve ser educada a não voltar para trás, reproduzindo o sistema social injusto" (p. 244).

Vejam-se as notas paralelas:

"Só existe verdadeira paz guando se erradica completamente o sistema injusto que explora e oprime o povo" (p. 253).

"A conquista da terra. .. destroi um sistema classista injusto" (p. 255).

"As Cidades-Estado de Canaã justificavam a política opressora e exploradora dos seus reis" (p. 272).

"Sem poder mais explorar os camponeses e suas terras, tais cidades não conseguiram oferecer sacrifício. . . seus armazéns ficaram vazios por falta de trigo. Enquanto isso, os camponeses vitoriosos conseguiram livrar-se dos tributos e puderam gozar da fartura" f p. 274}.

"Para uma volta ao projeto de Javé, é necessário romper... o sistema opressor das cidades" (p. 276).


A leitura materialista da Bíblia, julgando que as cidades se enriquecem mediante o tributo cobrado dos camponeses, afirma que os templos religiosos vêm a ser centros econômicos e políticos nos quais se deposita o lucro resultante da exploração comercial e tributária. É por isto que na p. 1237 se lê em rodapé:

"No tempo de Jesus o templo (de Jerusalém) possui imensas riquezas e toda a cúpula governamental age a partir daí. Desse modo a casa de oração e ofertas a Deus se torna um imenso Banco e lugar de poder político. Em outras palavras, a religião se torna instrumento de exploração e opressão do povo".

Desnecessário é dizer que esta descrição fantástica do Templo no tempo de Jesus carece de toda base histórica. Esse Templo, devido ao rei Herodes, ainda estava em fase de acabamento na época de Jesus; as obras de decoração demoravam por falta de recursos, como descreve pormenorizadamente o historiador judeu contemporâneo de Jesus, Flávio José (Antigüidades Judaicas 15,380-425).

Pêlos mesmos motivos é despropositado o comentário feito «m rodapé a Mc 11,15 (expulsão dos vendilhões do Templo):

"Acusando e atacando o comércio existente dentro do Templo, Jesus retira as bases sobre as quais se apoiava toda uma sociedade. Com efeito era com esse comércio que se sustentava grande parte da economia do país. O gesto de Jesus mexe não só com um modo de vida religiosa, mas com toda uma estrutura que usa a religião para estabelecer e assegurar privilégios de uma classe e sustentar uma visão mesquinha de salvação. Por isso, os que se favorecem desse sistema, pensam em matar Jesus, mas temem o povo" (p. 1298).

Este comentário fica longe da realidade histórica. O que ocorria no tempo de Jesus, era o seguinte: como em todos os santuários (ou mesmo como em todos os lugares onde se aglomera muita gente), no Templo de Jerusalém acorriam, nos dias de festa, camelos e vendedores ambulantes que armavam suas bancas para vender alimentos, objetos para o culto (vítimas), lembranças ou para fazer o câmbio das moedas estrangeiras. Esses pequenos comerciantes prestavam serviço aos milhares de peregrinos que afluíam ao Templo nas grandes solenidades; mas o acúmulo de gente, com suas necessidades, dava ocasião propícia à ganância e à exploração. Entendem então que Jesus tenha reagido contra esses abusos; tal reação, porém, não teve, em absoluto, as proporções que a Bíblia Pastoral lhe atribui:

"Acusando e atacando o comércio existente no Templo, Jesus retira as bases sobre as quais toda uma sociedade se apoiava. De fato, era com esse comércio que se sustentava grande parte da economia do pais. O gesto de Jesus abala não apenas um sistema de vida religiosa, mas toda uma estrutura que usa da religião para estabelecer e assegurar privilégios de uma classe e para sustentar uma visão mesquinha de salvação. Jesus é apresentado como o rei legítimo, centro de nova aliança: ele. . . é aclamado pelas crianças como o Messias. Aqueles que são privados de apoio oficial e de poder, estão prontos para receber Jesus, enquanto as autoridades o rejeitam" (p. 1267).

Eis alguns espécimens da leitura materialista realizada pêlos responsáveis da BP. Não se encontra nesta alguma alusão aos Santos Padres, à Tradição e ao Magistério da Igreja; o que aí se incute, é a perspectiva de uma sociedade estruturada segundo o marxismo e não a imagem do Reino de Deus em demanda de sua consumação escatológica.

"Mc 8,27-33: A ação messiânica de Jesus consiste em criar um mundo plenamente humano, onde tudo é de todos e repartido entre todos. Esse messianismo destrói a estrutura de uma sociedade injusta, onde há ricos à custa de pobres, e poderosos à custa de fracos. Por isto, essa sociedade vai matar Jesus antes que ele a destrua".

É este o comentário a uma passagem evangélica que fala da morte e ressurreição de Jesus. Estas são simplesmente silenciadas pêlos comentadores, como se não tivessem, antes do mais, importância transcendental.

Além de se ressentir de inspiração ideológica marxista, a Edição Pastoral comete seus erros teológicos e exegéticos, como se verá a seguir.


3. Erros doutrinários

1. No tocante à vida póstuma, os autores das notas parecem professar a ressurreição dos corpos logo após a morte do indivíduo, em desacordo com a doutrina oficial da Igreja e dos textos da própria Bíblia. Com efeito, eis o que se lê à p. 1476:

"Em Corinto alguns pensam que, depois da morte, a alma imortal continua vivendo sozinha. . . Outros pensam que tudo termina com a morte. . . Paulo mostra que ambas as opiniões são contrárias ao núcleo da fé crista".

Na verdade, a própria S. Escritura (ou o próprio São Paulo) professa a sobrevivência da alma sem o corpo, ficando a ressurreição da carne reservada para o fim dos tempos. Ver, por exemplo:

1Cor 15, 22-24a: "Assim como todos morrem em Adão, em Cristo todos receberão a vida. Cada um, porém, em sua ordem: como primícias, Cristo; aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda (parusia). A seguir, haverá o fim".

1Ts 4,16s: "Quando o Senhor, ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, descer do céu, então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; em seguida, nós, os vivos que estivermos tá, seremos arrebatados com eles nas nuvens para o encontro com o Senhor nos ares".

Estes dois textos situam a ressurreição dos mortos no momento da parusia ou da segunda vinda de Cristo. — Entre a morte do corpo e a ressurreição no fim dos tempos, a alma separada do corpo goza da sua sorte eterna (bem-aventurada, se d pessoa morreu em graça):

2Cor 5,8: "Estamos cheios de confiança, e preferimos deixar a mansão deste corpo para ir morar junto do Senhor".

Fl 1,23: "Meu desejo é partir e estar com Cristo, pois isto me é muito melhor".

Lc 23, 43: Disse Jesus ao bom ladrão pouco antes de morrer: "Em verdade eu te digo: Hoje estarás comigo no paraíso".

A Congregação para a Doutrina da Fé explicitou esta doutrina numa Instrução datada de 17/05/1979, onde se lê:

"... 3) A Igreja afirma a sobrevivência e a subsistência, depois da morte, de um elemento espiritual, dotado de consciência e de vontade, de tal modo que o 'eu humano' subsista, mesmo sem corpo. Para designar esse e/emento, a Igreja emprega a palavra 'a/ma', consagrada pelo uso que de/a fazem a Sagrada Escritura e a Tradição. Sem ignorar que este termo é tomado na Bíblia em diversos significados. Ela julga, não obstante, que não existe qualquer razão séria para o rejeitar e considera mesmo ser absolutamente indispensável um instrumento verbal para sustentara fé dos cristãos.. .

5) A Igreja, em conformidade com a Sagrada Escritura, espera a gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, que Ela considera como distinta e diferida em relação àquela condição própria do homem imediatamente depois da morte.

6) A Igreja, ao expor a sua doutrina sobre a sorte do homem após a morte, exclui qualquer explicação que tirasse o sentido à Assunção de Nossa Senhora naquilo que ela tem de único; ou seja, o fato de ser a glorificação corporal da Virgem Santíssima uma antecipação da glorificação que está destinada a todos os outros eleitos".


2. Algumas vezes as notas de rodapé da BP, de índole histórica, são derivadas da Bíblia de Jerusalém. Mas nem sempre de modo inteligente. Assim, por exemplo, no comentário de Ex 23,14-19 a Bíblia Pastoral repete o mesmo erro que já ocorria na Bíblia de Jerusalém em português, afirmando que a festa das Semanas era celebrada durante sete semanas ou cinqüenta dias (p. 96). Ora a Festa das Semanas, chamada Pentecostes em grego, era celebrada cinqüenta dias após o começo da colheita, como explicam Dt 16,9 e Lv 23,16, mas não durava cinqüenta dias; durava um dia apenas!

3. A BP traduz 1Cor 7, 36-38 nos seguintes termos:

"Se alguém, transbordando de paixão, acha que não conseguirá respeitar a noiva, e que as coisas devem seguir o seu curso, faça o que quiser. Não peca; que se casem. Ao contrário, se alguém, por firme convicção, sem constrangimento e no pleno uso de sua vontade, resolve respeitar a sua noiva, está agindo bem. Portanto, quem se casa com sua noiva faz bem; e quem não se casa, procede melhor ainda".

Ora o texto grego original fala de virgem (parthénos), e não de noiva (nymphe). A tradução clássica é apresentada pela Bíblia de Jerusalém:

"Se alguém julga agir de modo inconveniente para com a sua virgem, deixando-a passar da flor da idade, e que portanto deve casá-la, faça o que quiser; não peca. Que se realize o casamento! Mas aquele que, no seu coração, tomou firme propósito, sem coação e no pleno uso da própria vontade, e em seu íntimo decidiu conservar a sua virgem, esse procede bem. Portanto, procede bem aquele que casa a sua virgem; e aquele que não a casa, procede melhor ainda".

Em nota a Bíblia de Jerusalém alude à tradução adotada pela BP como sendo pouco habitual. A BP prefere a nova maneira de traduzir, sem dar informações sobre o seu caráter muito hipotético.


4. Conclusão

É louvável a intenção de tornar o texto bíblico acessível e compreensível ao maior número possível de leitores. Isto, porém, não significa incutir determinada opção ideológica, de mais a mais que a ideologia marxista se apresenta ao mundo de hoje como fracassada e ultrapassada. A Justiça Social é sumamente desejável, sim; ela decorre da própria mensagem bíblica que a Doutrina Social da Igreja, através das encíclicas papais, vem desenvolvendo e aplicando aos nossos tempos. A Igreja não precisa de recorrer a sistemas heterogêneos para propor aos homens a autêntica mensagem da salvação.

Notemos a grande responsabilidade que toca a tradutores e editores da Bíblia: a linguagem do texto sagrado penetra e forma a mentalidade do povo que a lê. A tradução de Lutero plasmou a língua alemã. Permita Deus que a sua santa Palavra não sirva de instrumento para levar o povo cristão à deterioração e a desvios da fé!

E. B.
(D. Estêvão Bettencourt O.S.B.)

terça-feira, 12 de maio de 2009

Índice bíblico contra os erros protestantes

A Bíblia traduzida para o português pelo Pe. Matos Soares é considerada por muitos como a melhor versão das Sagradas Escrituras para nossa língua. É traduzida diretamente da Vulgata de São Jerônimo, tem excelentes e ortodoxas notas de rodapé, além de um interessantíssimo índice de citações bíblicas contra os erros dos protestantes.

Infelizmente a Bíblia do pe. Matos Soares não é mais publicada, só sendo possível encontrá-la em sebos.

Há alguns anos atrás digitei esse índice no computador, mal me lembrava disso. Numa conversa no Orkut sobre Bíblia, foi solicitado esse índice a quem o tivesse. Lembrei-me desse e fui revirar meu computador.

Consegui encontrar, segue o referido índice.



TEXTOS DA BÍBLIA QUE CONSTITUEM O DOGMA CATÓLICO
CONTRA OS ERROS PROTESTANTES

Pe. Matos Soares




Absolvição

· O poder de dar a absolvição prometido e concedido aos pastores da Igreja: Mt 16, 19; 18, 18; Jo 20, 22-23.


Anjos

· Somos confiados à sua guarda: Mt 18, 10; Hb 1, 14; Ex 23, 20-21; Sl 90, 11-12;.
· Oferecem as nossas orações: Ap 8.
· Rogam por nós: Zc 1,12.
· Estamos em comunhão com eles: Hb 12, 22.
· Foram venerados pelos servos de Deus: Js 5, 14-15.
· Também foram invocados: Gn 48, 15-16; Os 12, 4; Ap 1, 4.


Batismo

· É ordenado por Jesus Cristo: Mt 28, 19.
· Necessário para a salvação: Jo 3, 5.
· Administrado pelos Apóstolos com água: At 8, 36-38; 10, 47-48.
· Além disto: Ef 5, 26; Hb 10, 22; 1Pd 3, 20-2.
· Quanto ao batismo das crianças: Lc 18,16 comparado com Jo 3, 5


Chefes ou governadores da Igreja e a sua autoridade

· Dt 18, 8-9; Mt 18, 17-18; 28, 18-20; Lc 10, 16; Jo 14, 16-17-26; 16, 13; 20, 21; Ef 4, 11-12; Hb 13, 7-17; 1Jo 4, 6.


Cristo (Jesus)

· É o Filho unigênito de Deus, o verdadeiro Filho de Deus por natureza, o único gerado de Deus: Mt 16, 16; Jo 1, 14; 3, 16-18; Rm 8, 32; 1Jo 4, 9.
· O mesmo Deus que seu Pai e igual a Ele: Jo 5, 18-19-23; 10,30; 14, 9s; 16, 14-15; 17, 10; Fl 2, 5-6;
· Verdadeiro Deus: Jo 1, 1; 20, 28-29; At 20, 25; Rm 9, 5; Tt 2, 13; 1Jo 3, 16; 5, 20; além disto: Is 9, 6; 35, 4-5; Mt 1, 23; Lc 1, 16-17; Hb 1, 8.
· É o criador de todas as coisas: Jo 1, 3-10-11; Cl 1, 5-16-17; Hb 1, 2-10-12; 3, 4.
· O Senhor da Glória: 1Cor 2, 8.
· O Rei dos reis e Senhor dos senhores: Ap 17, 4; 19, 16.
· O primeiro e o último, o alfa e o ômega, o princípio e o fim, o Onipotente: Ap 1, 8-17; 22, 12-13.
· Morreu por todos: Jo 3, 13-17; Rm 5, 18; 2Cor 5, 14-15; 1Tm 2, 3-6; 4, 10; Hb 2, 9; 1Jo 2, 1-2; também pelos condenados: Rm 14, 15; 1Cor 8, 11; 2Pd 2,1.


Comunhão

· Sob uma só espécie é suficiente para a salvação: Jo 6, 55-57-58.
· O Corpo e o Sangue de Jesus Cristo são agora inseparáveis: Rm 6, 9.
· Menção de uma espécie unicamente: Lc 24, 30-31; At 20, 7; 1Cor 10, 17.


Concílios da Igreja

· São assistidos por Cristo: Mt 18, 20; e pelo Espírito Santo: At 15, 28.
· Seus decretos devem ser cuidadosamente observados pelos fiéis: At 15, 41; 16, 4.


Confissão dos pecados

· Confessar os pecados: Nm 5, 6-7; Mt 3, 6; At 19, 18; Tg 5, 16.
· A obrigação da confissão é uma conseqüência do poder judiciário de atar e desatar, de reter os pecados, dada aos pastores da Igreja de Cristo: Mt 18, 18; Jo 20, 22-23.


Confirmação

· Foi administrada pelos apóstolos: At 8, 15-17; 19, 6; 2Cor 1, 21-22; Hb 6, 2.


Continência

· É possível: Mt 19, 11-12.
· O voto que se faz obriga: Dt 23, 21.
· A transgressão do voto é condenável: 1Tm 5, 12.
· A prática é recomendada: 1Cor 8, 8-27-37-38-40.
· Quanto aos motivos que respeitam particularmente ao clero: 1Cor 7, 32-33-35.


Escritura Sagrada

· É difícil de compreender, e muitos lhe dão, hoje em diante, este sentido para sua própria perdição: 2Pd 3, 16.
· Não deve explicar-se por uma interpretação particular: 2Pd 1, 20.
· É alterada pelos hereges: Mt 19, 11.


Espírito Santo

· Sua divindade: At 5, 3-4; 28, 25-26; 1Cor 2, 10-11; 6, 11-19-20; vide também: Mt 12, 31-32.
· A fórmula do Batismo: Mt 28, 19-20.
· Procede do Pai e do Filho: Jo 15, 26.


Eucaristia

· A presença real do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, e a transubstanciação provadas por: Mt 26, 26; Mc 14, 22-24; Lc 22, 19; Jo 6, 51-52s; 1Cor 10, 16; 11, 21-24-25-27-29.


Unção dos Enfermos

· Tg 5, 14-15.




· A verdadeira fé é necessária à salvação: Mc 16, 16; At 2, 47; 4, 12; Hb 11, 6.
· A fé sem as boas obras é uma fé morta: Tg 2, 14-17-20.
· A fé só não justifica: Tg 2, 24.
· Mas a fé obrando pela caridade: Gl 5, 6.
· A fé não implica a certeza absoluta do estado de graça, e muito menos ainda da salvação eterna: Rm 11, 20-22; 1Cor 9, 27; 10, 12; Fl 2, 2; Ap 3, 11.


Igreja (a) de Jesus Cristo

· Existirá para sempre: Mt 16, 18; 28, 20; Jo 16, 16-17; Sl 47, 9; 71, 5-7; 88, 3-4-20-36-37; 131, 13-14; Is 9, 7; 54, 9-10; 59, 20-21; 60, 15-18s; 62, 6; Jr 31, 21-26; 33, 17s; Ez 37, 21-26; Dn 2, 44.
· A Igreja é o Reino de Cristo: Lc 1, 33; Dn 2, 44.
· A cidade do grande Rei: Sl 47, 2.
· Seu descanso e sua habitação para sempre: Sl 131, 13-14.
· A casa de Deus vivo: 1Tm 3,15.
· O aprisco da qual Cristo é o pastor: Jo 10, 13.
· corpo da qual Cristo é a cabeça: Cl 1, 18; Ef 5, 23.
· A esposa da qual é o esposo: Ef 5, 31-32.
· Está sempre sujeita a Ele e sempre amada e fiel para com Ele: Ef 5, 24.
· Sempre amada e querida dEle: Ef 5, 25-29.
· E unida a Ele por uma união indissolúvel: Ef 5, 31-32.
· A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade: 1Tm 3, 15.
· O pacto de Deus com Ela é uma pacto de paz: Ez 37, 26.
· Pacto confirmado por um juramento solene, imutável como aquele que fez com o Patriarca Noé: Is 54, 9.
· Como o que fez com o dia e com a noite por todas as gerações: Jr 33, 20-21.
· Deus será sua eterna luz: Is 60, 18-19.
· Todos os que se juntarem contra Ela cairão, e a nação que a não queira servir perecerá: Is 60, 12-15-17.
· A Igreja é sempre uma: Ct 6, 9; Jo 10, 16; Ef 2, 23; Mq 4, 12; Mt 5, 14.
· Estende-se por toda a parte e ensina um grande número de nações: Sl 2, 8; 21, 28; Is 49, 6; 54, 1-3; Dn 2, 35-44; Ml 1, 11s.
· A Igreja é infalível em matéria de fé, é uma conseqüência das promessas divinas que lhe têm sido feitas; vide em particular: Mt 16, 18; 28, 19-20; Jo 14, 16-17-26; 16, 13; 1Tm 3, 14-15; Is 35, 8; 54, 9-10;


Imagens

· Recomendadas por Deus: Ex 25, 18s; Nm 21, 8-9.
· Colocada dos dois lados do propiciatório no Tabernáculo: Ex 37, 7.
· E no templo de Salomão: 2Cr 3, 10-11; 3Rs 6, 23.
· E isto por um mandamento divino: 1Cr 28, 18.
· Veneração relativa às imagens de Jesus Cristo e dos Santos autorizada: Hb 11, 21; vide também: 2Rs 6, 12-16; 2Cr 5, 2s; Sl 98, 5; Fl 2, 10.


Indulgências

· Poder de as conceder Mt 16, 18-19.
· Uso deste poder: 2Cor 2, 6-8-10.


Inferno

· Eternidade das penas: Mt 3, 12; 25, 41-46; Mc 9, 43-46-48; Lc 3, 17; 2Ts 1, 7-9; Jd 6-7; Ap 14, 10-11; 20, 10; vide igualmente: Is 33, 14.


Jejum

· É recomendado na Escritura: Jl 2, 12.
· Praticado pelos servos de Deus: Esd 8, 23; 2Esd 1, 4; Dn 10, 3-7-12s.
· Leva Deus a usar de misericórdia: Jn 3, 5s.
· É de grande eficácia contra demônio: Mc 9, 28.
· Deve ser observado por todos os filhos de Jesus Cristo: Mt 9, 15; Mc 2, 10; Lc 5, 35; vide também: At 13, 3; 14, 22; 2Cor 6, 5; 11, 27.
· Jejum de Jesus de quarenta dias: Mt 4, 2.


Livre arbítrio

· Gn 7; Dt 30, 19; Eclo 15, 14.
· Resiste freqüentemente à graça de Deus: Pr 1, 24s; Is 5, 4; Ez 18, 23-31-32; 33, 11; Mt 23, 37; Lc 13, 34; At 7, 51; Hb 12, 15; 2Pd 3, 9; Ap 20, 4.


Matrimônio

· Sacramento representando a união de Jesus Cristo e da Igreja: Ef 5, 32; vide igualmente: 1Ts 4, 3-5.
· O casamento não deve ser dissolvido senão por morte: Gn 2, 21; Mt 19, 6; Mc 10, 11-12; Lc 16, 18; Rm 7, 2-3; 1Cor 7, 10-11-39.



Missa

· O sacrifício da Missa figurado antecipadamente: Gn 19, 18.
· Predito: Ml 1, 10-11.
· Instituído e celebrado pelo próprio Jesus Cristo: Lc 22, 19-20.
· Atestado: 1Cor 10, 16-18-21; Hb 13, 10.


Mulheres

· Não devem pregar nem ensinar: 1Cor 14, 34-35-37; 1Tm 2, 11-12.


Obras (boas)

· As boas obras meritórias: Gn 4, 7; Sl 17, 21-23-24; 18, 8-11; Mt 5, 11-12; 10, 42; 16, 27; 1Cor 3, 8; 2Tm 4, 8.


Orações

· Pelos defuntos: 2Mc 12, 43s.


Ordens (Sacras)

· Foram instituídas por Jesus Cristo: Lc 22, 19; Jo 20, 22-23.
· Conferidas pela imposição de mãos: At 6, 6; 13, 3; 14, 22.
· Dão graças: 1Tm 4, 14; 2Tm 1, 6.


Papa ou Bispo

· Chefe dos outros bispos; São Pedro foi elevado a esta dignidade pelo próprio Jesus Cristo: Mt 16, 18-19; Lc 22, 31-32; Jo 21, 15-17s; vide igualmente: Mt 10, 2; At 5, 29; Gl 2, 7-8.


Pecado original

· Jó 14, 4; Sl 50, 7; Rm 5, 12-15-19; 1Cor 15, 21-22; Ef 2, 3.


Purgatório

· Purgatório ou estado médio das almas, sofrendo por certo tempo em expiação de seus pecados; é provado por numerosos textos da Escritura que afirmam que Deus pagará a cada um segundo as suas obras, de tal sorte que aqueles que morrem estando culpados mesmo das menores faltas, não escapam do castigo. Quanto a isso vide também: Mt 12, 32; Ap 21, 27; assim como: Mt 5, 25-26; 1Cor 3, 13-15; 1Pd 3, 18-20; 2Mc 12, 45.


Relíquias Milagrosas

· 4Rs 13, 4-20-21; Mt 9, 21-29; At 9, 11-12.


Santos

· Os Santos deixaram este mundo, socorrem-nos por suas orações: Lc 16, 9; 1Cor 12, 2; Ap 5, 8.
· Estamos em comunhão com eles: Hb 12, 22-23.
· Têm um poder sobre as nações: Ap 2, 26-27; 5, 10.
· Sabe o que se passa entre nós: Lc 15, 10; 1Cor 13, 12; 1Jo 3, 2.
· Estão, pois, com Cristo no céu antes da ressurreição geral: 2Cor 5, 1-6-8; Fl 1, 23-24; Ap 4, 4; 6, 9; 7, 9-15s; 14, 1-3-4; 19, 1-4-6; 20, 4.
· Quanto à sua invocação convém consultar os textos citados a respeito dos anjos, ou os que, mostrando o grande poder que têm para com Deus as orações dos seus servos, nos autorizam por isto mesmo a implorar suas orações; para isso vide: Ex 31, 11-14.


Tradições Apostólicas

· 1Cor 11, 2; 2Ts 2, 5-14; 3, 6; 2Tm 1, 13; 2, 2; 3, 14; vide também: Dt 32, 7; Sl 19, 5-7.


Virgem Maria (a Bem-Aventurada)

· Sua dignidade: Lc 1, 28-42-43.
· Todas as gerações dos verdadeiros cristãos a chamarão bem-aventurada: Lc 1, 48.
· Quanto aos direitos que tem de ser venerada e invocada vide o que está dito a respeito dos anjos e santos.


sexta-feira, 8 de maio de 2009

DESABAFO

Segue um justo desabafo de Rafael Vitola Brodbeck, a qual eu subscrevo integralmente.

Até quando teremos que aturar tantas afrontas ao Evangelho de Nosso Senhor e ao Magistério de Sua Igreja?

Até quando o Santo Sacrifício da Missa será profanado?

Até quando heresias serão pregadas impunemente nos púlpitos das igrejas?

Até quando?


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DESABAFO

Por Rafael Vitola Brodbeck
Até quando teremos que aturar padres sem batina ou sem clergyman? Sacerdotes que, em vez de ostentar sua incorporação a Cristo pelo sacramento da Ordem, escondem-se do povo, disfarçando-se de leigos?

Até quando teremos que aturar Missas que em nada nos indicam seu caráter ontologicamente sacrifical? Palmas ritmadas acompanhando músicas de melodia, harmonia e ritmo absolutamente inadequados, com uma pobreza infantil nas letras? Manifestações desmedidas de alegria quase profana durante a atualização do Calvário? Padres que não vestem os paramentos corretos, sem casula, sem cíngulo, sem amito, substituindo-os por um simplório conjunto de túnica e estola? Clérigos, até Bispos, que desprezam o latim, o canto gregoriano, a polifonia sacra, o órgão, o incenso? Que identificam “Missa em latim” com o rito antigo? Que, ademais, têm como que um ódio mortal a esse rito antigo, e mesmo ao novo celebrado de acordo com as rubricas? Sacerdotes e fiéis que preferem as passageiras e profanas novidades às sadias tradições? Que rechaçam as normas que chegam de Roma, e desobedecem descaradamente, fazendo celebrar a Missa do jeito que querem?

Até quando teremos que aturar procissões que mais parecem passeatas políticas? Bandeiras políticas no lugar nos estandartes das antigas confrarias? Discursos da moda em vez de um sermão sobre coisas espirituais?

Até quando teremos que aturar o Conselho Indigenista Missionário que não catequiza os índios? A Comissão Pastoral da Terra que, em vez de pregar a Doutrina Social da Igreja, insufla o MST e outros grupelhos comunistas safados a atacar a propriedade privada? A Pastoral da Juventude, que nada mais é do que célula avançada do PT e do PSOL nas fileiras de nossos grupos de jovens?

Até quando teremos que aturar o sumiço da teologia católica, destronada por uma péssima formação em nossos seminários, verdadeiras fábricas de comunistas? Que se preocupam mais em ensinar sociologia religiosa do que doutrina? Relativização da verdade do que autêntica filosofia? Bagunça na Missa do que liturgia correta? Boff do que Tomás de Aquino? Küng do que patrística? Teólogos duvidosos e politicamente corretos do que o Magistério?

Até quando teremos que aturar a troca da caridade pelo assistencialismo politicamente esquerdista? E as irmãs de caridade se converterem em assistentes sociais? E as irmãs contemplativas abandonarem seus conventos e afrouxarem no cumprimento da regra?

Até quando teremos que aturar a Campanha da Fraternidade nublando a Quaresma? Reflexões políticas em vez de práticas piedosas? Cânticos socialistas ao invés da clássica hinologia católica? Via Sacra sendo corrida por orações imbecis?

Até quando teremos que aturar os documentos que chegam de Roma serem ignorados ou distorcidos, enquanto análises de conjuntura e discursos vazios sobre a água, as florestas, os amigos, a paz, os coelhinhos e o arco-íris são promovidos em nossos púlpitos como se doutrina católica fossem?

Até quando teremos que aturar desobediências ao Papa promovidas por freiras, frades, padres, Bispos, e líderes do laicato?

Até quando teremos que aturar defesas do aborto, das práticas homossexuais, da Teologia da Libertação, do socialismo, da insubordinação, feitas por membros da Igreja?

Até quando teremos que aturar nossas lindas igrejas e altares serem profanados pela feiúra e pelo iconoclasmo?

Até quando teremos que aturar o sentimentalismo e o relativismo tomarem de assalto o lugar que era próprio da razão e da fé objetiva?

Até quando teremos que aturar a Fé Católica seqüestrada por quem deveria ser seu defensor?

Até quando?

quinta-feira, 7 de maio de 2009

No descompasso da Igreja

Em dezembro de 2007 Dom Vilson Dias de Oliveira, bispo de Limeira, concedeu uma entrevista ao "Jornal de Limeira". Tomei conhecimento agora através do blog Fratres in Unum.

Embora já tenha mais de ano essa entrevista, gostaria de tecer alguns comentários aqui sobre os dizeres de Dom Vilson.

Nessa entrevista, entre outras coisas, ele foi questionado sobre a liberação da Missa Tridentina, a ordenação de mulheres e a Teologia da Libertação. Nos três casos o senhor bispo ou mentiu, ou omitiu, ou está completamente desinformado sobre o que acontece na Santa Igreja.

Sobre a Missa, afirma Dom Vilson: "O papa tentou responder para comunidades mais tradicionais. Na verdade, existem grupos no mundo hoje que têm essa linha tradicionalista, de poder rezar em latim. Acho que o papa tentou não desmerecer esse pessoal e deixou em aberto. Agora, isso não quer dizer que na Diocese de Limeira vai ter missa em latim. Diria que depois do Concílio (2º Concílio do Vaticano, em 1963), quando se celebraram as missas em português, as pessoas passaram a participar mais. Felizmente não temos esses grupos ultraconservadores na diocese. Eu não faria polêmica em torno dessa história. Rezamos na nossa língua e vamos continuar assim. Vamos ter missa em português e ponto final. Desde o Vaticano 2º houve muitos avanços".

Primeiro - foi um capricho dos reformadores liturgicos, e não do Concílio, a total liberação do vernáculo na liturgia, o que era para ser excessão virou regra. O Concílio na verdade mandou que se mantivesse o latim na Missa.

Segundo - sobre as intenções do Santo Padre ao publicar o Motu Proprio Summorum Pontificum, afirma o Cardeal Cañizares (prefeito da Congregação para o Culto Divino e antigo colaborador do Papa, a ponto de ser conhecido como "o pequeno Ratzinger") ao prefaciar o livro A Reforma de Bento XVI: "a vontade do Papa não foi unicamente satisfazer aos seguidores de Dom Lefebvre, nem limitar-se a responder aos justos desejos dos fiéis que se sentem ligados, por diversos motivos, à herança litúrgica representada pelo rito romano, mas também, e de maneira especial, abrir a riqueza litúrgica da Igreja A TODOS OS FIÉIS, tornando possível assim a descoberta dos tesouros do patrimônio litúrgico da Igreja a quem ainda o ignora. Quantas vezes a atitude dos que os menosprezam não é devida a outra coisa senão a este desconhecimento! Por isso, considerado a partir deste último aspecto, o Motu Proprio tem sentido transcendente à existência ou não de conflitos: ainda quando não houvesse nenhum “tradicionalista” a quem satisfazer, este “descobrimento” teria sido suficiente para justificar as disposições do Papa.

Será que é necessário acrescentar algo às palavras do Cardeal?

Em outro momento, e este é o mais grave, Dom Vilson se sai com essa sobre o sacerdócio feminino: "Agora, você vai dizer: "amanhã pode acontecer?". Pode ser, você tem que respeitar a caminhada da Igreja, o tempo. Por enquanto, a Igreja diz que não, por enquanto não posso levantar uma bandeira e dizer "faça isso". Eles olham a experiência do passado para olhar essa questão. Diria o seguinte: na América Latina, a mulher hoje participa muito mais, tem maior presença da Igreja, é mais engajada, mais participante. Ela não é só maior em número, ela tem maior participação nos ministérios da igreja".

Será que ele desconhece a Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis, de João Paulo II?

Nela o Papa de venerável memória afirma: "Portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cfr Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja".

Por fim, Dom Vilson ainda faz um afago nessa praga dos infernos chamada Teologia da Libertação, que já foi devidamente condenana pela Santa Sé. Afirma ele que trata-se de uma teolgia como qualquer outra e quem tem seus méritos. E ainda contraria o óbvio ululante, contraria os fatos históricos ao afirmar que a Teologia da Libertação não ajudou a fundar o PT! Até os inglesas da "The Economist" sabem disso!

É no mínimo curiosos a maneira como Dom Vilson se comporta nesses três casos. Aquilo que o Papa libera, o bispo condena de forma taxativa: "Vamos ter missa em português e ponto final". Aquilo que os Papa condenam, o bispo leva em consideração: "a ordenação de mulheres é possível e a Teologia da Libertação tem seus méritos".

Dom Vilson parece seguir à risca o modo de agir da CNBB (conforme já escrevi aqui), que condena o que não precisa e é omissa ou ambígua com o que deveria condenar.

sábado, 21 de março de 2009

Catolicismo pretensioso

Recomendo a todos a leitura dos absurdos ditos pela senhora "Ébete Nuñez" e a excelente refutação do Fabrício Ribeiro.

Está no blog dele, o Palavras Apenas.

Infelizmente, da mesma laia desta senhora existem muitos católicos hoje. São cegos ao meio-dia. Não enxergam o óbvio. Não sabem qual é a missão de um bispo, qual é a missão da Igreja. E saem propagando as mais absurdas teses.

São católicos que já não suportam mais a Sã Doutrina da Salvação, pelo desejo de ouvir novidades seguem outros mestres e se afastam da verdade se atirando as mais diversas fábulas (2Tm 4, 3-4).

sexta-feira, 13 de março de 2009

A carta do Papa aos bispos

Num gesto de grande humildade, Bento XVI escreveu uma carta aos bispos da Igreja Católica a propósito da remissão da excomunhão aos quatro Bispos consagrados pelo Arcebispo Lefebvre.

Nessa carta ele "abre o coração" aos bispos e a todos os fiéis católicos. Como um pai falando a seus amados filhos, expõe não só suas razões para estar trabalhando pela total reconciliação da FSSPX com a Igreja, mas também sua amargura pelas duras críticas que recebeu dos próprios católicos, de sua preocupação pelo fato da Fé não vir recebendo o devido alimento em várias regiões do mundo, ensina mais uma vez a verdadeira chave de leitura do Concílio Vaticano II e espera com tudo isso contribuir para paz dentro da Igreja Católica Apostólica Romana.

Em alguma das reportagens que li sobre o assunto, um repórter bem notou que não é comum um papa escrever uma carta para se justificar perante os bispos. De fato, é incomum tal atitude em um Soberano Pontífice. E até por isso, o gesto de Bento XVI ganha uma relevância maior!

Porém, incomum é também a terrível onda de ataques que o Santo Padre vinha recebendo por conta do levantamento das excomunhões dos quatro bispos ordenados por Marcel Lefebvre em 1988, principalmente porque na esteira desse gesto foi divulgada a desastrosa declaração de Richard Williamson sobre o Holocausto (sem esquecer que esse gesto do papa para com a FSSPX é ato contínuo com a liberação da Missa de São Pio V feita através do Motu Próprio Summorum Pontificum, que por si só já tinha despertado a ira dos inimigos da Igreja e do Papa).

Críticas ao Papa e à Santa Igreja sempre existiram e sempre existirão. O incomum e surpreendente das críticas aos recentes atos do Santo Padre é a origem destas: os bispos. Aqueles que deveriam ser os primeiros a se levantarem em defesa do Sucessor de Pedro, são os primeiros a fazerem exatamente o contrário, engrossando as já largas fileiras dos que atacam o Corpo Místico de Cristo.

Por isso, de forma amargurada, afirma o Santo Padre em sua carta que "desencadeou-se assim um avalanche de protestos, cujo azedume revelava feridas que remontavam mais além do momento" (...) "Fiquei triste pelo fato de inclusive católicos, que no fundo poderiam saber melhor como tudo se desenrola, se sentirem no dever de atacar-me e com uma virulência de lança em riste".

Vários bispos do mundo inteiro ergueram suas vozes raivosas contra o Santo Padre! Os mesmos bispos tão tolerantes e ecumênicos com hereges e pagãos; tão benevolentes com as mais absurdas invencionices litúrgicas, feitas sob a desculpa de que se trata de legítima criatividade e inculturação; tão preocupados com a inclusão das minorias; esses mesmos bispos disseram um sonoro NÃO ao Papa e à Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Hereges e pagãos são bem-vindos, a FSSPX não! As maiores aberrações e sacrilégios são tolerados, mas a Missa de São Pio V não! Se preocupam muito com a "inclusão" das ditas minorias, mas a FSSPX não pode ser incluída! Todo o rigor da lei que deixou de ser exigido dos hereges, foi agora cobrado para que a Fraternidade fosse aceita.

Parece até que existe um certo medo do que a FSSPX é capaz de fazer pela Igreja. Creio que o rigor doutrinário, a piedade litúrgica e a postura sacerdotal deles sejam duras de mais para os modernos e modernistas clérigos católicos.

Muitos justificaram que não se poderia aceitar o retorno de Richard Williamsom por conta de sua posição em relação ao Holocausto. Ora, desde quando o Holocausto virou Dogma de Fé cuja negação implica em heresia e afastamento da Igreja? Verdadeiros ataques a São Doutrina fazem os adeptos das mais absurdas teologias e não vemos os senhores bispos "rasgando suas vestes" como aconteceu com Williamsom... que, repito, questionou certos pontos de um fato histórico e não de um Dogma de Fé.

Claro que a Fraternidade possui problemas e sua situação dentro da Igreja ainda não está concretizada. Tanto que o Papa deixa claro que "enquanto as questões relativas à doutrina não forem esclarecidas, a Fraternidade não possui qualquer estado canónico na Igreja, e os seus ministros – embora tenham sido libertos da punição eclesiástica – não exercem de modo legítimo qualquer ministério na Igreja". Assim, todo esse rigor e zelo de muitos bispos mundo afora para aceitar a FSSPX em boa parte está correto e se justifica. Minha questão é: por que esse mesmo rigor e esse mesmo zelo não se vê com pagãos, hereges, maus sacerdotes e maus fiéis?

E não foi só em relação ao levantamento das excomunhões. Tristemente, uma parcela considerável do episcopado mundial parece estar fora de si.

Recentemente houve um rebuliço tremendo no episcopado austríaco por causa da nomeação do pe. Gerhard Wagner para bispo auxiliar da diocese de Linz. Qual acusação recai sobre esse sacerdote? Ser pura e simplesmente católico! Pe. Wagner é fiel a Sã Doutrina, ao Papa e ataca com destemor o erro, ou seja, é um daqueles que a mídia adora rotular de "conservador". A Conferência Episcopal da Áustria, revoltada pela nomeação de um sacerdote católico para bispo da referida diocese, infernizou (sim, a palavra é essa) de tal forma a vida do Papa que este se viu compelido a cancelar a nomeação do pe. Wagner!

Onde iremos parar quando bispos se levantam rebelados contra um simples ato de governo do Santo Padre, que é afinal a autoridade competente para tal? Qual o conceito de liberdade que está por detrás de tais atitudes?

É doloroso ver tais reações descabidas ao Santo Padre. Ver um episcopado que "morde e devora a si mesmo como expressão de uma liberdade mal interpretada".

Em seguida o Papa trata também do Concílio Vaticano II e sua correta inserção na história da Igreja. Infelizmente, tanto modernistas quanto tradicionalistas enxergam, erroneamente diga-se, no concílio uma ruptura com o passado. Aqueles só aceitam o Magistério posterior ao concílio, estes só o anterior. Erram os dois grupos. E o Santo Padre deixa isso bem claro: "Não se pode congelar a autoridade magisterial da Igreja no ano de 1962: isto deve ser bem claro para a Fraternidade. Mas, a alguns daqueles que se destacam como grandes defensores do Concílio, deve também ser lembrado que o Vaticano II traz consigo toda a história doutrinal da Igreja. Quem quiser ser obediente ao Concílio, deve aceitar a fé professada no decurso dos séculos e não pode cortar as raízes de que vive a árvore".

O Papa então reponde àqueles que questionaram se não havia coisas mais importantes com que se preocupar do que a FSSPX. Afirma o Santo Padre qual é sua prioridade: "Conduzir os homens para Deus, para o Deus que fala na Bíblia: tal é a prioridade suprema e fundamental da Igreja e do Sucessor de Pedro neste tempo". E para alcançar tal objetivo, buscar a unidade interna é fundamental até para garantir a credibilidade da pregação cristã. E citando o número de membros e a estrutura da Fraternidade, o Papa questiona se seria justo ignorá-los completamente.


Ainda nesse ponto das prioridades de seu pontificado, Bento XVI faz uma afirmação que merece uma reflexão: "No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus"

A gravidade dessas palavras é tremenda! A fé em muitos lugares está sumindo porque não é "alimentada"! O povo está perdendo a fé! Só não percebe isso quem observa a realidade com 'óculos cor-de-rosa'.

O que quer dizer o papa quando afirma que a fé não está recebendo alimento?

Pra mim está claro e o Brasil é um exemplo. A fé não é alimentada quando no lugar da via-sacra e da meditação da Paixão de Cristo, se reflete sobre um tema social qualquer (esse ano os fiéis ficarão sabendo dos males da violência em que vivemos, mas muitos não terão a menor noção da violência que sofrem as almas que estão no Inferno). A fé não é alimentada quando a Santa Missa deixa de ser a atualização do único e eterno sacrifício de Nosso Senhor, para virar um "encontro fraterno dos irmãos ao redor da mesa". Quando ela deixa de ser celebrada com o zelo e gravidade que exige, para ser celebrada com desleixo e sem a mínima piedade. A fé do povo diminui quando o Santíssimo Sacramento é tratado com indiferença (isso quando não ocorrem sacrilégios terríveis) e esquecido em algum canto da igreja, sem receber adorações solenes ou mesmo uma simples e silenciosa companhia de uma alma sacerdotal (quanto sacerdotes fazem ao menos uma breve adoração diária e incentivam tal prática?). Quando a catequese deixa de ensinar a São Doutrina. Quando padres e bispos tratam de inúmeros temas sociais e políticos em suas homilias, mas se esquecem completamente de falar das coisas do alto, aquelas que realmente importam (Lc 10, 38-42).

Todas essas omissões não só deixam de alimentar a fé do povo, como vão minando o que ainda existe de visão sobrenatural. Nesse sentido, afirma o Papa que "o verdadeiro problema neste momento da nossa história é que Deus possa desaparecer do horizonte dos homens e que, com o apagar-se da luz vinda de Deus, a humanidade seja surpreendida pela falta de orientação, cujos efeitos destrutivos se manifestam cada vez mais".

Bento XVI registra ainda sua sensação de ser bode expiatório de toda a humanidade... "Às vezes fica-se com a impressão de que a nossa sociedade tenha necessidade pelo menos de um grupo ao qual não conceda qualquer tolerância, contra o qual seja possível tranquilamente arremeter-se com aversão. E se alguém ousa aproximar-se do mesmo – do Papa, neste caso – perde também o direito à tolerância e pode de igual modo ser tratado com aversão sem temor nem decência".

A Igreja, em especial na pessoa de seu líder máximo, é esse grupo que não merece a tolerância dos que tanto clamam por tolerância. Da Igreja e do Papa se exige toda a tolerância e benevolência possível, mas para eles só restam duras pedras atiradas sem a menor piedade. Para aqueles que empunham o escudo da Fé e a espada da Palavra e estão no fronte combatendo pela Igreja junto com o Papa, essa situação é bem conhecida (2Tm 3, 12). E tal perseguição só é suportada com a ajuda de Nosso Senhor Jesus Cristo, que muito mais foi perseguido e sofreu injustamente por todos nós.

Repito o que já disse aqui nesse blog, pra quem achava que Joseph Ratzinger, idoso e tímido, faria o chamado pontificado de transição, ele está demonstrando justamente o contrário. Bento XVI, com muita coragem e destemor, vem enfrentando uma oposição descomunal dentro de seu próprio rebanho, simplesmente porque quer pregar a Sã Doutrina da Salvação, que muitos já não suportam (2Tm 4, 3).

Desde o início ele sabia que enfrentaria isso. Todos se lembram do que ele disse na Missa de início do seu pontificado: "Rogai por mim, para que não fuja, por medo, diante dos lobos".

E ele, verdadeiramente, não está fugindo!

Continuemos rezando pelo Santo Padre, para que continue enfrentando valentemente os lobos, especialmente aqueles que se disfarçam de ovelhas.


Oremos pelo nosso beatíssimo Papa Bento XVI. O Senhor o conserve, lhe dê vida e o torne feliz na terra, e não o entregue em poder dos seus inimigos. Amém.



Papa não poderia trocar tesouros do Vaticano por comida para África

Alberto Juesas Escudero, um jovem espanhol, lançou um abusado desafio no Facebook: Por que o Vaticano não troca todos os seus tesouros por comida para a África?

O desafio é abusado, mas passou longe da originalidade...

Não é de hoje que a Igreja é "convidada" a se desfazer do incalculável tesouro que se encontra em suas dependências.

De qualquer forma, conforme a notícia abaixo, o Cardeal Paul Josef Cordes esclarece mais uma vez aquilo que muitos teimam em não entender: a Igreja simplesmente não pode se desfazer desse tesouro. E ainda por cima deve zelar por ele! Mais do que obter lucros, a Igreja tem é despesas com essas obras!

Segue a notícia de Zenit:


Papa não poderia trocar tesouros do Vaticano por comida para África

A proposta lançada no Facebook é mais complicada do que parece


Por Jesús Colina

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 13 de março de 2009 (ZENIT.org).- «Trocar tesouros do Vaticano por comida para a África. Topa?». Com esta mensagem um internauta abriu um espaço no Facebook. Em poucos dias, até esta sexta-feira pela manhã, 32.146 membros haviam aderido.

O cardeal Paul Josef Cordes, presidente do Conselho Pontifício Cor Unum, esclarece que, independentemente do aspecto provocador ou ideológico da proposta, o Papa não poderia aplicá-la, pois o direito internacional o impede.

O presidente do organismo da Santa Sé responsável pela orientação e coordenação entre as organizações e as atividades caritativas promovidas pela Igreja Católica explicou a situação à Zenit em um encontro com jornalistas.

A iniciativa do Facebook foi lançada por um jovem espanhol, Alberto Juesas Escudero, que explica a proposta com alguns argumentos. Alguns deles são: «Porque é uma vergonha ver as riquezas do Vaticano e depois o noticiário».

Outros dos argumentos são: «Porque não admitem seus erros jamais. Porque não pregam com o exemplo. Porque Jesus nasceu em uma manjedoura e vivia em pobreza».

A motivação conclui com expressões ofensivas: «Que vergonha o Vaticano! Que vergonha a religião católica!».

Em sua resposta à pergunta da Zenit, o cardeal Cordes explica que ele escuta este tipo de propostas há 40 anos, e que antes elas se repetiam até mais.

Explica que quando João Paulo II o chamou a Roma para colaborar com ele na Cúria Romana, «o clima era muito forte contra o Vaticano. Então, naquela época, eu me informei e descobri que a Igreja não pode fazer o que quer com as obras de arte que estão no Vaticano».

Na realidade, esclarece, a Igreja «tem a tarefa de conservar as obras de arte em nome do Estado Italiano. Não pode vendê-las».

O purpurado não só cita a teoria, mas sobretudo se refere à realidade. Explica que, quando nos anos 60 um benfeitor alemão fez uma doação para restaurar o Colégio Teutônico, que se encontra dentro do Vaticano, a direção dessa residência, como gesto de agradecimento, deu-lhe uma estátua simples, que não tinha um valor comparável a outras que se encontram nos Museus Vaticanos, que se encontrava dentro do colégio.

Essa pessoa teve muitíssimos problemas com o Estado italiano, pois foi acusado de subtrair bens que a Itália deve custodiar, explicou o cardeal.

«Em todas as nações há medidas para a defesa das obras de arte, porque o Estado deve mantê-las», declara, recordando que os bens da Santa Sé também fazem parte da história cultural da Itália.

O cardeal recorda, por outro lado, que sem a obra da Igreja Católica, o sistema de saúde e educativo de algumas regiões da África não existiria.

«Presidentes africanos reconhecem quando vêm encontrar com o Papa», explica o cardeal Cordes.

Sem a Igreja na África, uma parte dos portadores do HIV ficaria abandonada, pois a Igreja, com sua rede de hospitais, é a instituição que acolhe o maior número de pessoas com este vírus.

Segundo explica o cardeal Cordes, ao atrair o interesse dos meios de informação do mundo por sua próxima viagem à África (Camarões e Angola), de 17 a 23 de março, o Papa centrará a atenção nas necessidades que a África vive, impulsionando ao mesmo tempo medidas concretas de autêntica solidariedade e respeito.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Arnaldo Jabor

Em um artigo, o grande pensador católico Gustavo Corção escreveu que “Os idiotas que antigamente se calavam estão hoje com a palavra, possuem hoje todos os meios de comunicação”.

Creio que Corção, com algumas décadas de antecedência, retratou perfeitamente o que vemos acontecer agora: um tolo, sem o mínimo conhecimento do que seja a Igreja Católica Apostólica Romana, seus 2000 anos de história, sua doutrina e suas leis, tem a sua disposição, como fabulosa massa de manobra, a maior audiência da TV brasileira para ouvir suas tolices, suas pseudo-análises do que ocorre dentro da Igreja (sim, porque nenhum bispo nem muito menos o papa foi interferir no trabalho de Jabor).

Há algumas semanas, por conta do levantamento das excomunhões dos quatro bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, Arnaldo Jabor se meteu a comparar o pontificado de João Paulo II com o de Bento XVI (veja o vídeo). Não consigo pensar em outro adjetivo para o discurso do sujeito que não seja: ASNEIRAS.

Começou afirmando que João Paulo II era "pra fora", ao passo que Bento XVI é "pra dentro". Que aquele queria levar a Igreja para o mundo, e este quer trazer o mundo para dentro da Igreja. Jabor demonstra desconhecer completamente o pontificado de João Paulo II e a intensa colaboração e amizade entre ele e o então Cardeal Jospeph Ratzinger; assim como demonstra também desconhecer completamente que Nosso Senhor mandou sua Igreja "ensinar e batizar todos os povos e nações" (Mt 28,19). Tanto que chega ao absurdo de afirmar que foi um erro o papa batizar o islâmico convertido ao catolicismo no sábado santo do ano passado.

Por fim, critica o levantamento da excomunhão do bispo Richard Williamson (um dos quatro da FSSPX) após este ter "negado o Holocausto" (primeiro que ele não negou, mas isso é outra história). Tal afirmação de Williamson não era do conhecimento do Papa, a este fato comenta com grosseira ironia: "como não sabia, o Papa não é infalível?".

Agora, Jabor se mete novamente onde não é chamado e nem tem competência para tal, e desfila novamente todo seu ódio, ironia e desconhecimento da Igreja (veja o vídeo).

O foco agora foi a declaração de Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Recife e Olinda, de que quem participou do aborto da menina de 9 anos está excomungado.

Afirma ele que "esse pensamento dogmático, inquisitorial, só afasta a igreja católica do mundo moderno".

Passo a palavra a São Paulo Apóstolo: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito" (Rm 12,2).

Jabor segue: "Logo agora que a história está tão cruel, agora que os homens precisam de uma religião protetora, agora que precisávamos da doçura da igreja, temos os olhos frios de Bento XVI".

Pois é, triste coinscidência... logo agora que a boa filosofia está esquecida, que os homens se rendem aos seus mais torpes desejos e abandonam a inteligência e a lógica, justo agora que precisávamos de homens inteligentes e cultos ensinando nos grandes meios de comunicação, temos a inteligência embaçada, a má vontade, a incompetência profissional e a língua bipartida de Arnaldo Jabor...

Voltando a Corção: "São os idiotas que possuem hoje os meios de comunicação".

O idiota em referência, encerra seu apanhado de idiotices com a seguinte pérola: "Os excomungados de Olinda não devem ter medo. Deus está vendo e está com eles. Certamente não está com esse inquisidor, o arcebispo José Cardoso Sobrinho."

Agora Jabor, além de analista da Santa e Romana Igreja, determina também com quem Deus está e com quem Ele deixa de estar. Este sujeito é realmente engraçado, a Igreja não tem o direito de excomungar quem fere as leis de Deus (mesmo que essas pessoas estejam pouco se importando com Deus), mas ele tem o direito de anular a excomunhão declarada. Mais uma vez vemos a intolerância dos tolerantes... Tolerância com todos e com todas as atitudes, menos aquelas advindas da Igreja Católica.

O que verdadeiramente não é muito difícil de saber é quem está com Arnaldo Jabor...

Por fim, chama Dom José Sobrinho de inquisidor. Esse ataque me fez pensar nos tempos em que um idiota desse não estaria à solta falando tanta bobagem, ou estaria preso, ou se converteria, ou viraria carvão. Pelo menos as inteligências e as boas almas eram preservadas de tamanhas baboseiras.

sábado, 18 de agosto de 2007

Perguntar não ofende, mas pode converter

Há pouco tempo eu terminei de ler o excelente livro "Todos os caminhos vão dar a Roma", escrito por Scott Hahn e sua esposa Kimberley Hahn. Os autores são estudiosos da bíblia e tinham posições de destaque na Igreja Presbiteriana dos EUA. Suas conversões são fruto de estudos sobre a Bíblia e os Padres da Igreja. Scott se converteu primeiro, causando uma grande decepção à esposa; mas ela, algum tempo depois, também acabou se rendendo à clareza da Fé Verdadeira e se converteu. A emocionante e edificante história desse casal pode ser conhecida no livro citado acima, leitura que eu recomendo vivamente.

Algumas das objeções que os protestantes fazem a Fé Católica são refutadas por Scott Hahn. Especialmente interessante é o momento em que ele começa a questionar a doutrina da "Sola Scriptura" (= somente a Bíblia). Hahn, desesperado por não conseguir encontrar fundamentos para essa doutrina (ponto chave de todo o protestantismo), pergunta a alguns de seus antigos professores e amigos: Qual é o fundamento da verdade?

Resposta unânime: A Bíblia, claro!

Ao que Hahn responde: Então por que São Paulo afirma à Timóteo que a Igreja é a coluna e o sustentáculo da verdade?

Não obteve respostas satisfatórias...

Gostei da idéia e fiz o teste: cheguei em um antigo colega de trabalho, que é metodista, e fiz a mesma pergunta... A resposta não poderia ser outra: A Bíblia! Respondi o mesmo que Scott Hahn, citando I Timóteo 3,15. Ele ainda não me trouxe uma resposta...

Os protestantes afirmam que a Bíblia é a única fonte de fé e moral (Sola Sciptura). Por outro lado, nós católicos cremos que nossa fé se fundamenta num tripé formado pela Bíblia, Tradição e Magistério.

Fica a dica para o caso de um debate com protestantes, ao invés de nos desdobrarmos para fazê-los entender o uso de imagens, intercessão dos santos, Nossa Senhora, etc., pergunte: Qual é o fundamento da verdade?. Depois, ele que prove com a própria Bíblia, a doutrina herética da Sola Scriptura.

Nesse sentido, recomendo a leitura do artigo "Cinco perguntas a que nenhum protestante consegue responder", de Carlos Ramalhete.

Parece até um paradoxo, mas justamente a Bíblia é o ponto fraco dos protestantes!