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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A “Reforma da Reforma” se aproxima

ROMA: O documento foi entregue em mãos a Bento XVI na manhã de 4 de abril passado pelo Cardeal espanhol Antonio Cañizares Llovera, Prefeito da Congregação para o Culto Divino. É o resultado de uma votação reservada, que ocorreu em 12 de março, no transcurso da sessão “plenária” do dicastério responsável pela liturgia, e representa o primeiro passo concreto em direção àquela “reforma da reforma” freqüentemente desejada pelo Papa Ratzinger. Os Cardeais e Bispos membros da Congregação votaram quase unanimemente em favor de uma maior sacralidade do rito, da recuperação do senso de culto eucarístico, da retomada da língua Latina na celebração e da re-elaboração das partes introdutórias do Missal a fim de pôr fim aos abusos, experimentações desordenadas e inadequada criatividade. Eles também se declararam favoráveis a reafirmar que o modo ordinário de receber a Comunhão conforme as normas não é na mão, mas na boca. Há, é verdade, um indulto que, a pedido dos episcopados [locais], permite a distribuição da hóstia [sic] também na palma da mão, mas isso deve permanecer um fato extraordinário. O “Ministro da Liturgia” do Papa Ratzinger, Cañizares, está também estudando a possibilidade de recuperar a orientação do celebrante em direção ao Oriente, ao menos no momento da consagração eucarística, como acontecia de fato antes da reforma, quando tanto fiéis como padre voltavam-se em direção à Cruz e o padre então voltava suas costas à assembléia.

Aqueles que conhecem o Cardeal Cañizares, apelidado “o pequeno Ratzinger” antes de sua vinda para Roma, sabem que ele está disposto a levar adiante decisivamente o projeto, começando de fato do que foi estabelecido pelo Concílio Vaticano Segundo na constituição Sacrosanctum Concilium, que foi, na realidade, excedido pela reforma pós-conciliar que entrou em vigor no fim dos anos 60. O purpurado, entrevistado pela revista 30Giorni nos últimos meses, declarou a respeito: “Às vezes as mudanças eram feitas pelo mero fim de mudar um passado compreendido como negativo e fora de época. Às vezes a reforma foi vista como uma ruptura e não como um desenvolvimento orgânico da Tradição”.

Por esta razão, as “propositiones” votadas pelos Cardeais e Bispos na plenária de Março prevêem um retorno ao sentido de sagrado e de adoração, mas também um redescobrimento das celebrações em latim nas dioceses, ao menos nas solenidades principais, assim como a publicação de Missais bilíngües – um pedido feito a seu tempo por Paulo VI – com o texto em latim primeiro.

As propostas da Congregação que Cañizares entregou ao Papa, obtendo sua aprovação, estão perfeitamente em linha com a idéia sempre expressa por Joseph Ratzinger quando ainda era Cardeal, como é deixado claro em suas palavras não publicadas [ndt: ao menos na Itália, pois no mundo ‘tradicionalista’ já era conhecida a carta do então Cardeal Ratzinger ao dr. Barth] reveladas antecipadamente por Il Giornale ontem, e que serão publicadas no livro Davanti al Protagonista (Cantagalli), apresentadas antecipadamente num congresso em Rimini. Com uma significante nota bene: para a realização da “reforma da reforma”, serão necessários muitos anos. O Papa está convencido que passos apressados, assim como diretrizes simplesmente lançadas de cima, não ajudam, com o risco de que muitas possam depois permanecer letra morta. O estilo de Ratzinger é o da comparação e, acima de tudo, do exemplo. Como o fato de que, por mais de um ano, quem se aproxima do Papa para a comunhão, tem que se ajoelhar no genuflexório especialmente colocado pelo cerimoniário.

Nota do Fratres in Unum: Neste contexto, é mais que oportuno rememorar as palavras pronunciadas pelo Santo Padre no fim desta plenária da Congregação, em março.

terça-feira, 7 de julho de 2009

CARITAS IN VERITATE


Publicada a nova Encíclica do Papa Bento XVI, CARITAS IN VERITATE. Como já era de conhecimento geral, trata de temas sociais.


sexta-feira, 19 de junho de 2009

Ano Sacerdotal





Carta do Sumo Pontífice Bento XVI para a proclamação de um Ano Sacerdotal por ocasião do 150º aniversário do dies natalis do Santo Cura d'Ars

Através desta carta, o Santo Padre abre hoje o Ano Sacerdotal. Mais uma vez, com muita sabedoria, Bento XVI vai direto ao ponto!

Será um precioso tempo em que nós, leigos, com maior empenho deveremos rezar por nossos padres, para que sejam homens fiéis à Cristo e à Igreja, sejam santos!

Com efeito, não precisamos de padres-cantores, padres-animadores, padres-assistentes-sociais, padres-psicólogos, padres-politicos, etc... etc... etc... Precisamos, efetivamente, de padres-padres.

Padres que não se disfarçam de leigos, que ensinam a Verdade, celebram o Santo Sacrifício da Missa com piedade e zelo, que ministram com sabedoria o Sangue de Cristo no confessionário, que defendam com valentia a Esposa de Cristo.

Que São João Maria Vianney, modelo de sacerdote, interceda por todos nós!

Rezemos pelos sacerdotes!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Rabino defende canonização de Pio XII


Por que será que boa parte dos defensores de Pio XII são justamente judeus?




Rabino defende canonização de Pio XII

No prólogo de um livro

Por Antonio Gaspari

ROMA, segunda-feira, 15 de junho de 2009 (ZENIT.org).- É um rabino americano. Até setembro de 2008, ele teve dúvidas sobre a idoneidade de Pio XII para sua beatificação, e agora reza pelo pontífice e propõe reconhecer o Papa Eugenio Pacelli como santo.

Ele o explica no prólogo do último livro de Sor Margherita Marchione, “Papa Pio XII. Un antologia di testi nel 70 anniversario dell'incoronazione” (Papa Pio XII. Uma antologia de textos no 70º aniversário da coroação), editado em italiano e em inglês pela Livraria Editora Vaticana.

O rabino Erich A. Silver, do Templo Beth David, em Cheshire, responsável pela melhoria das relações entre o Judaísmo e a Igreja Católica, explica as causas da sua mudança de opinião.

“Eu achava que ele poderia ter feito mais”, escreveu Silver no prólogo do livro. “Eu queria saber se realmente havia um colaborador, um antissemita passivo, enquanto milhões eram assassinados, alguns à vista do Vaticano.”

“Então – relata o rabino – em setembro de 2008, vim a Roma, convidado por Gary Krupp, para participar de um simpósio organizado por Pave The Way Foundation, no qual se estudaria o papel de Pio XII durante o Holocausto.”

Naquela ocasião, o rabino Silver conheceu Sor Marchione e outras 50 pessoas, entre rabinos, sacerdotes, estudiosos e jornalistas que haviam estudado e investigado a fundo sobre o tema.

Para Silver, aquele simpósio foi um choque, e assim escreve: “As provas que eu vi me convenceram de que sua única motivação (de Pio XII) foi salvar todos os judeus que ele pudesse”.

A imagem negativa de Pio XII, segundo Silver, começou com a publicação do jornal “O Vigário”, com a difusão de mentiras e com o hábito de não investigar os fatos históricos.

Assim, muitas pessoas foram convertidas em “instrumento dos que detestavam Pio XII porque sempre foi anticomunista”, explica.

“Vale destacar que, depois do fim da guerra e até sua morte, os judeus o elogiaram continuamente, reconhecendo-o como salvador”, acrescenta.

E o rabino afirma: “Eu espero que a canonização de Pio XII possa acontecer sem problemas, para que não somente os católicos, mas o mundo inteiro possa conhecer o bem realizado por esse homem de Deus”.

Na parte final de sua introdução ao livro, Silver recorda que no 50º aniversário da morte de Pio XII, no sermão de Yom Kippur, “eu falei da necessidade de corrigir os erros do passado”.

“Depois de tudo, Eugenio Pacelli é um amigo especial de Deus, um santo; cabe a nós reconhecer este fato”, recorda.

Entrevistada por Zenit, Sor Margherita Marchione, conhecida como Fighting Nun (a freira lutadora) e autora de outros 15 livros sobre a figura de Pio XII, recorda seu encontro com o Papa Pacelli em 1957, em uma viagem à Itália para investigar sobre o poeta Clemente Rebora.

Para Sor Margherita, Pio XII é a maior personalidade da época da 2ª Guerra Mundial.

“Este Papa, no silêncio e no sofrimento, sem armas nem exército, conseguiu salvar muitas vidas humanas e aliviar muitas penas: esta é a verdade histórica”, afirma.

Sor Margherita demonstrou que Pio XII foi inimigo acérrimo do nazismo e do comunismo.

Sobre sua relação com os judeus, Sor Margherita pôde demonstrar que “Pio XII salvou mais judeus que qualquer outra pessoa, inclusive Oskar Schindler e Raoul Wallemberg”.

E explica: “Durante a guerra, Pio XII fez mais que qualquer outro chefe de Estado, como os presidentes dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt ou Winston Churchill, que podiam servir-se de meios militares”.

“O único chefe de Estado que salvou milhares de judeus foi Pio XII, que não tinha meios militares”, acrescenta.

E conclui: “Por este motivo, Pio XII merece ser reconhecido como beato”.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Hino Pontifício

Segue abaixo um histórico do Hino Pontifício, bem como um vídeo do mesmo e sua letra.

Costumo dizer, talvez com um pouco de exagero, que é o "Hino Nacional" de todo católico.

Aprecio sobremaneira esse Hino e sou muito grato aos Arautos do Evangelho que o divulgaram em seus CD's de canto sacro. Eu não o conhecia e lamento que o mesmo não receba atenção dos inúmeros "ministérios" de música existentes atualmente.

Sua letra tem uma força impressionante. Tem fé verdadeira emanando de cada estrofe.

Qual católico no front de batalha hoje, sob o pontificado do estupendo Bento XVI, não se sente realmente reconfortado ao cantar: A voz de Pedro na tua o mundo escuta, conforto e escudo de quem combate e luta.

Quantos não são os combates de hoje em nossas dioceses, paróquias, comunidades e até mesmo dentro das famílias, em que muitas vezes nos sentimos sós, cansados de tanto nadar contra a correnteza? E vemos o Santo Padre também combatendo, quase sozinho, contra inimigos muito maiores e mais fortes, e com uma força e vitalidade que só pode vir do Paráclito, erguendo a sua voz, sem medo de cara feia, sem medo dos lobos, proclamando a Verdade, proclamando Cristo, contra todo erro e todo mal!

Sua melodia é instigante. Impossível para qualquer católico "de sangue latino", daqueles que estão sempre combatendo o bom combate, permanecer impassível quando o escuta. Mais ainda quando se ouve sua execução pelos Arautos do Evangelho, em marcha como soldados. É de inflamar qualquer alma católica!



O Hino Pontifício

Fonte: Santa Sé

No ano de 1950, por ocasião do Ano Santo, Sua Santidade Papa Pio XII decidiu que a Marcha Pontifícia de Charles Gounod (1818-1893) tornaria-se o hino oficial do Vaticano, executado pela primeira vez como hino oficial em 24 de dezembro de 1949. A Marcha Pontifícia, como era chamada pelo próprio autor (e de acordo com alguns também conhecida como Marcha Religiosa), assumiu o novo título Hino Pontifício, substituindo o antigo hino composto por Vitorino Hallmayr, em 1857, no estilo da época. Gounod, um homem de profunda fé, havia composto o hino por ocasião do Jubileu Sacerdotal de Sua Santidade, o Papa Pio IX. O hino foi executado pela primeira vez na presença do Pontífice, em 11 de abril de 1869, interpretada por 7 bandas militares na Basílica de São Pedro.





Ó Roma eterna dos mártires, dos santos!
Ó Roma eterna acolhe nossos cantos!

Glória no alto ao Deus de Majestade,
Paz sobre a Terra, Justiça e Caridade.

A Ti corremos, Angélico Pastor,
Em Ti nós vemos o Doce Redentor.

A voz de Pedro na tua o mundo escuta,
Conforto e escudo de quem combate e luta.

Não vencerão as forças do inferno,
Mas a verdade que é o doce amor fraterno.

Salve, salve Roma! É eterna tua história!
Cantam-nos tua glória monumentos e altares!

Roma dos Apóstolos, Mãe e mestra da verdade!
Roma, toda Cristandade, o mundo espera em Ti!

Salve, salve Roma! O Teu Sol não tem poente!
Vence, refulgente, todo erro e todo mal!

Salve o Santo Padre, vivas tanto ou mais que Pedro!
Desça, qual mel do rochedo, a benção paternal!


sexta-feira, 8 de maio de 2009

Ocidente não tem direito de impor preservativo a africanos


Carta aberta de um grupo de estudantes camaroneses

ROMA, quarta-feira, 6 de maio de 2009 (ZENIT.org).- «Dizemos com firmeza nosso ‘não’ a este modelo cultural totalmente estranho a nossos valores e tradições, que nos está sendo imposto como determinante da melhoria de nossa vida.» Com estas palavras, um grupo de estudantes dos Camarões divulgou na Europa uma carta aberta, recebida pela Zenit, contra os ataques ao Papa por suas palavras sobre o preservativo, durante a viagem apostólica a Camarões e Angola no mês de março passado.

Nela, exige-se ao Diretor executivo do Fundo Mundial para a luta contra a AIDS, aos deputados belgas e aos ministros de Saúde espanhol, alemão e de Exterior francês, que «peçam perdão ao Papa e aos africanos».

Este grupo denuncia que a imprensa ocidental «instrumentalizou injustamente, em uma violenta campanha sabidamente orquestrada» as palavras do Papa, e que os ataques recebidos por este constituem «uma vergonhosa ingerência na realidade africana».

Os assinantes afirmam que os autores das críticas «identificaram o continente africano como um dos principais mercados de chegada dos preservativos para fazer crescer suas economias sociais. O jogo está claro: as indústrias do preservativo estão no Ocidente».

«O Santo Padre tocou na chave do problema, alarmando os agentes deste florescente negócio na África», acusam.

Para estes estudantes, utilizou-se o Papa como «bode expiatório» para «defender seus interesses econômicos ocultos após a exportação de suas práticas contraconceptivas a países com forte crescimento demográfico».

«Que promovam e defendam o uso do preservativo em sua casa, já que esta escolha corresponde às suas concepções antropológicas sobre o ser humano, mas não têm direito a impor suas escolhas aos africanos», acrescentam.

Especialmente, exigem ao Ocidente que «peça perdão aos africanos» por «enganá-los, apresentando-se como os verdadeiros benfeitores, quando na realidade não o são».

«De que serve proteger os africanos com o preservativo se depois os matam com tantos mecanismos de exploração ou com as armas pela guerra de interesses políticos e econômicos desses mesmos benfeitores?»

As pessoas na África «não morrem apenas de AIDS, e por isso é mentira dizer que o preservativo salva vidas humanas», acrescentam.

«Pedimos, portanto, a estes supostos benfeitores da África que deixem, de uma vez por todas, de especular com ela. É necessário inverter a tendência: a pobreza da África não deve fazer mais a riqueza dos países já desenvolvidos.»

Por último, os autores exigem ao Fundo para a luta contra a AIDS que destine os fundos com os quais conta «ao envio massivo de recursos para escavar poços de água e para construir implantes fotovoltaicos para a produção de energia solar, com o qual se favoreça uma distribuição massiva de água e luz».

«Estes são os bens essenciais e decisivos para a África, e todos os agentes da cooperação internacional ao desenvolvimento são muito conscientes disso. Esta é a ajuda humanitária que a África precisa para desenvolver-se, e não o preservativo», concluem.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

No descompasso da Igreja

Em dezembro de 2007 Dom Vilson Dias de Oliveira, bispo de Limeira, concedeu uma entrevista ao "Jornal de Limeira". Tomei conhecimento agora através do blog Fratres in Unum.

Embora já tenha mais de ano essa entrevista, gostaria de tecer alguns comentários aqui sobre os dizeres de Dom Vilson.

Nessa entrevista, entre outras coisas, ele foi questionado sobre a liberação da Missa Tridentina, a ordenação de mulheres e a Teologia da Libertação. Nos três casos o senhor bispo ou mentiu, ou omitiu, ou está completamente desinformado sobre o que acontece na Santa Igreja.

Sobre a Missa, afirma Dom Vilson: "O papa tentou responder para comunidades mais tradicionais. Na verdade, existem grupos no mundo hoje que têm essa linha tradicionalista, de poder rezar em latim. Acho que o papa tentou não desmerecer esse pessoal e deixou em aberto. Agora, isso não quer dizer que na Diocese de Limeira vai ter missa em latim. Diria que depois do Concílio (2º Concílio do Vaticano, em 1963), quando se celebraram as missas em português, as pessoas passaram a participar mais. Felizmente não temos esses grupos ultraconservadores na diocese. Eu não faria polêmica em torno dessa história. Rezamos na nossa língua e vamos continuar assim. Vamos ter missa em português e ponto final. Desde o Vaticano 2º houve muitos avanços".

Primeiro - foi um capricho dos reformadores liturgicos, e não do Concílio, a total liberação do vernáculo na liturgia, o que era para ser excessão virou regra. O Concílio na verdade mandou que se mantivesse o latim na Missa.

Segundo - sobre as intenções do Santo Padre ao publicar o Motu Proprio Summorum Pontificum, afirma o Cardeal Cañizares (prefeito da Congregação para o Culto Divino e antigo colaborador do Papa, a ponto de ser conhecido como "o pequeno Ratzinger") ao prefaciar o livro A Reforma de Bento XVI: "a vontade do Papa não foi unicamente satisfazer aos seguidores de Dom Lefebvre, nem limitar-se a responder aos justos desejos dos fiéis que se sentem ligados, por diversos motivos, à herança litúrgica representada pelo rito romano, mas também, e de maneira especial, abrir a riqueza litúrgica da Igreja A TODOS OS FIÉIS, tornando possível assim a descoberta dos tesouros do patrimônio litúrgico da Igreja a quem ainda o ignora. Quantas vezes a atitude dos que os menosprezam não é devida a outra coisa senão a este desconhecimento! Por isso, considerado a partir deste último aspecto, o Motu Proprio tem sentido transcendente à existência ou não de conflitos: ainda quando não houvesse nenhum “tradicionalista” a quem satisfazer, este “descobrimento” teria sido suficiente para justificar as disposições do Papa.

Será que é necessário acrescentar algo às palavras do Cardeal?

Em outro momento, e este é o mais grave, Dom Vilson se sai com essa sobre o sacerdócio feminino: "Agora, você vai dizer: "amanhã pode acontecer?". Pode ser, você tem que respeitar a caminhada da Igreja, o tempo. Por enquanto, a Igreja diz que não, por enquanto não posso levantar uma bandeira e dizer "faça isso". Eles olham a experiência do passado para olhar essa questão. Diria o seguinte: na América Latina, a mulher hoje participa muito mais, tem maior presença da Igreja, é mais engajada, mais participante. Ela não é só maior em número, ela tem maior participação nos ministérios da igreja".

Será que ele desconhece a Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis, de João Paulo II?

Nela o Papa de venerável memória afirma: "Portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cfr Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja".

Por fim, Dom Vilson ainda faz um afago nessa praga dos infernos chamada Teologia da Libertação, que já foi devidamente condenana pela Santa Sé. Afirma ele que trata-se de uma teolgia como qualquer outra e quem tem seus méritos. E ainda contraria o óbvio ululante, contraria os fatos históricos ao afirmar que a Teologia da Libertação não ajudou a fundar o PT! Até os inglesas da "The Economist" sabem disso!

É no mínimo curiosos a maneira como Dom Vilson se comporta nesses três casos. Aquilo que o Papa libera, o bispo condena de forma taxativa: "Vamos ter missa em português e ponto final". Aquilo que os Papa condenam, o bispo leva em consideração: "a ordenação de mulheres é possível e a Teologia da Libertação tem seus méritos".

Dom Vilson parece seguir à risca o modo de agir da CNBB (conforme já escrevi aqui), que condena o que não precisa e é omissa ou ambígua com o que deveria condenar.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Edward Green: "O Papa está certo!"

Você já ouviu falar em Edward Green? Não? Nem eu...

Provavelmente os digníssimos jornalistas brasileiros também não, visto não encontrarmos referências a ele por aqui.

E por qual motivo agora estou falando nele?

Bem, Edward Green é médico, antropólogo e uma das maiores autoridades mundiais no estudo das formas de combate à expansão da AIDS. Ele também é diretor do Projeto de Investigação e Prevenção da AIDS do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento de Harvard.

O mais interessante é que Green afirma estar certo o Papa Bento XVI quando prega a castidade e a fidelidade conjugal no lugar dos preservativos como melhor forma de combate a AIDS!

Quando é para atacar o Papa e a Igreja Católica, qualquer "zé mané" ganha voz na mídia. Quando é para dar razão, até as maiores autoridades são silenciadas...

Leia mais sobre isso no blog do Reinaldo Azevedo.

sexta-feira, 13 de março de 2009

A carta do Papa aos bispos

Num gesto de grande humildade, Bento XVI escreveu uma carta aos bispos da Igreja Católica a propósito da remissão da excomunhão aos quatro Bispos consagrados pelo Arcebispo Lefebvre.

Nessa carta ele "abre o coração" aos bispos e a todos os fiéis católicos. Como um pai falando a seus amados filhos, expõe não só suas razões para estar trabalhando pela total reconciliação da FSSPX com a Igreja, mas também sua amargura pelas duras críticas que recebeu dos próprios católicos, de sua preocupação pelo fato da Fé não vir recebendo o devido alimento em várias regiões do mundo, ensina mais uma vez a verdadeira chave de leitura do Concílio Vaticano II e espera com tudo isso contribuir para paz dentro da Igreja Católica Apostólica Romana.

Em alguma das reportagens que li sobre o assunto, um repórter bem notou que não é comum um papa escrever uma carta para se justificar perante os bispos. De fato, é incomum tal atitude em um Soberano Pontífice. E até por isso, o gesto de Bento XVI ganha uma relevância maior!

Porém, incomum é também a terrível onda de ataques que o Santo Padre vinha recebendo por conta do levantamento das excomunhões dos quatro bispos ordenados por Marcel Lefebvre em 1988, principalmente porque na esteira desse gesto foi divulgada a desastrosa declaração de Richard Williamson sobre o Holocausto (sem esquecer que esse gesto do papa para com a FSSPX é ato contínuo com a liberação da Missa de São Pio V feita através do Motu Próprio Summorum Pontificum, que por si só já tinha despertado a ira dos inimigos da Igreja e do Papa).

Críticas ao Papa e à Santa Igreja sempre existiram e sempre existirão. O incomum e surpreendente das críticas aos recentes atos do Santo Padre é a origem destas: os bispos. Aqueles que deveriam ser os primeiros a se levantarem em defesa do Sucessor de Pedro, são os primeiros a fazerem exatamente o contrário, engrossando as já largas fileiras dos que atacam o Corpo Místico de Cristo.

Por isso, de forma amargurada, afirma o Santo Padre em sua carta que "desencadeou-se assim um avalanche de protestos, cujo azedume revelava feridas que remontavam mais além do momento" (...) "Fiquei triste pelo fato de inclusive católicos, que no fundo poderiam saber melhor como tudo se desenrola, se sentirem no dever de atacar-me e com uma virulência de lança em riste".

Vários bispos do mundo inteiro ergueram suas vozes raivosas contra o Santo Padre! Os mesmos bispos tão tolerantes e ecumênicos com hereges e pagãos; tão benevolentes com as mais absurdas invencionices litúrgicas, feitas sob a desculpa de que se trata de legítima criatividade e inculturação; tão preocupados com a inclusão das minorias; esses mesmos bispos disseram um sonoro NÃO ao Papa e à Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Hereges e pagãos são bem-vindos, a FSSPX não! As maiores aberrações e sacrilégios são tolerados, mas a Missa de São Pio V não! Se preocupam muito com a "inclusão" das ditas minorias, mas a FSSPX não pode ser incluída! Todo o rigor da lei que deixou de ser exigido dos hereges, foi agora cobrado para que a Fraternidade fosse aceita.

Parece até que existe um certo medo do que a FSSPX é capaz de fazer pela Igreja. Creio que o rigor doutrinário, a piedade litúrgica e a postura sacerdotal deles sejam duras de mais para os modernos e modernistas clérigos católicos.

Muitos justificaram que não se poderia aceitar o retorno de Richard Williamsom por conta de sua posição em relação ao Holocausto. Ora, desde quando o Holocausto virou Dogma de Fé cuja negação implica em heresia e afastamento da Igreja? Verdadeiros ataques a São Doutrina fazem os adeptos das mais absurdas teologias e não vemos os senhores bispos "rasgando suas vestes" como aconteceu com Williamsom... que, repito, questionou certos pontos de um fato histórico e não de um Dogma de Fé.

Claro que a Fraternidade possui problemas e sua situação dentro da Igreja ainda não está concretizada. Tanto que o Papa deixa claro que "enquanto as questões relativas à doutrina não forem esclarecidas, a Fraternidade não possui qualquer estado canónico na Igreja, e os seus ministros – embora tenham sido libertos da punição eclesiástica – não exercem de modo legítimo qualquer ministério na Igreja". Assim, todo esse rigor e zelo de muitos bispos mundo afora para aceitar a FSSPX em boa parte está correto e se justifica. Minha questão é: por que esse mesmo rigor e esse mesmo zelo não se vê com pagãos, hereges, maus sacerdotes e maus fiéis?

E não foi só em relação ao levantamento das excomunhões. Tristemente, uma parcela considerável do episcopado mundial parece estar fora de si.

Recentemente houve um rebuliço tremendo no episcopado austríaco por causa da nomeação do pe. Gerhard Wagner para bispo auxiliar da diocese de Linz. Qual acusação recai sobre esse sacerdote? Ser pura e simplesmente católico! Pe. Wagner é fiel a Sã Doutrina, ao Papa e ataca com destemor o erro, ou seja, é um daqueles que a mídia adora rotular de "conservador". A Conferência Episcopal da Áustria, revoltada pela nomeação de um sacerdote católico para bispo da referida diocese, infernizou (sim, a palavra é essa) de tal forma a vida do Papa que este se viu compelido a cancelar a nomeação do pe. Wagner!

Onde iremos parar quando bispos se levantam rebelados contra um simples ato de governo do Santo Padre, que é afinal a autoridade competente para tal? Qual o conceito de liberdade que está por detrás de tais atitudes?

É doloroso ver tais reações descabidas ao Santo Padre. Ver um episcopado que "morde e devora a si mesmo como expressão de uma liberdade mal interpretada".

Em seguida o Papa trata também do Concílio Vaticano II e sua correta inserção na história da Igreja. Infelizmente, tanto modernistas quanto tradicionalistas enxergam, erroneamente diga-se, no concílio uma ruptura com o passado. Aqueles só aceitam o Magistério posterior ao concílio, estes só o anterior. Erram os dois grupos. E o Santo Padre deixa isso bem claro: "Não se pode congelar a autoridade magisterial da Igreja no ano de 1962: isto deve ser bem claro para a Fraternidade. Mas, a alguns daqueles que se destacam como grandes defensores do Concílio, deve também ser lembrado que o Vaticano II traz consigo toda a história doutrinal da Igreja. Quem quiser ser obediente ao Concílio, deve aceitar a fé professada no decurso dos séculos e não pode cortar as raízes de que vive a árvore".

O Papa então reponde àqueles que questionaram se não havia coisas mais importantes com que se preocupar do que a FSSPX. Afirma o Santo Padre qual é sua prioridade: "Conduzir os homens para Deus, para o Deus que fala na Bíblia: tal é a prioridade suprema e fundamental da Igreja e do Sucessor de Pedro neste tempo". E para alcançar tal objetivo, buscar a unidade interna é fundamental até para garantir a credibilidade da pregação cristã. E citando o número de membros e a estrutura da Fraternidade, o Papa questiona se seria justo ignorá-los completamente.


Ainda nesse ponto das prioridades de seu pontificado, Bento XVI faz uma afirmação que merece uma reflexão: "No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus"

A gravidade dessas palavras é tremenda! A fé em muitos lugares está sumindo porque não é "alimentada"! O povo está perdendo a fé! Só não percebe isso quem observa a realidade com 'óculos cor-de-rosa'.

O que quer dizer o papa quando afirma que a fé não está recebendo alimento?

Pra mim está claro e o Brasil é um exemplo. A fé não é alimentada quando no lugar da via-sacra e da meditação da Paixão de Cristo, se reflete sobre um tema social qualquer (esse ano os fiéis ficarão sabendo dos males da violência em que vivemos, mas muitos não terão a menor noção da violência que sofrem as almas que estão no Inferno). A fé não é alimentada quando a Santa Missa deixa de ser a atualização do único e eterno sacrifício de Nosso Senhor, para virar um "encontro fraterno dos irmãos ao redor da mesa". Quando ela deixa de ser celebrada com o zelo e gravidade que exige, para ser celebrada com desleixo e sem a mínima piedade. A fé do povo diminui quando o Santíssimo Sacramento é tratado com indiferença (isso quando não ocorrem sacrilégios terríveis) e esquecido em algum canto da igreja, sem receber adorações solenes ou mesmo uma simples e silenciosa companhia de uma alma sacerdotal (quanto sacerdotes fazem ao menos uma breve adoração diária e incentivam tal prática?). Quando a catequese deixa de ensinar a São Doutrina. Quando padres e bispos tratam de inúmeros temas sociais e políticos em suas homilias, mas se esquecem completamente de falar das coisas do alto, aquelas que realmente importam (Lc 10, 38-42).

Todas essas omissões não só deixam de alimentar a fé do povo, como vão minando o que ainda existe de visão sobrenatural. Nesse sentido, afirma o Papa que "o verdadeiro problema neste momento da nossa história é que Deus possa desaparecer do horizonte dos homens e que, com o apagar-se da luz vinda de Deus, a humanidade seja surpreendida pela falta de orientação, cujos efeitos destrutivos se manifestam cada vez mais".

Bento XVI registra ainda sua sensação de ser bode expiatório de toda a humanidade... "Às vezes fica-se com a impressão de que a nossa sociedade tenha necessidade pelo menos de um grupo ao qual não conceda qualquer tolerância, contra o qual seja possível tranquilamente arremeter-se com aversão. E se alguém ousa aproximar-se do mesmo – do Papa, neste caso – perde também o direito à tolerância e pode de igual modo ser tratado com aversão sem temor nem decência".

A Igreja, em especial na pessoa de seu líder máximo, é esse grupo que não merece a tolerância dos que tanto clamam por tolerância. Da Igreja e do Papa se exige toda a tolerância e benevolência possível, mas para eles só restam duras pedras atiradas sem a menor piedade. Para aqueles que empunham o escudo da Fé e a espada da Palavra e estão no fronte combatendo pela Igreja junto com o Papa, essa situação é bem conhecida (2Tm 3, 12). E tal perseguição só é suportada com a ajuda de Nosso Senhor Jesus Cristo, que muito mais foi perseguido e sofreu injustamente por todos nós.

Repito o que já disse aqui nesse blog, pra quem achava que Joseph Ratzinger, idoso e tímido, faria o chamado pontificado de transição, ele está demonstrando justamente o contrário. Bento XVI, com muita coragem e destemor, vem enfrentando uma oposição descomunal dentro de seu próprio rebanho, simplesmente porque quer pregar a Sã Doutrina da Salvação, que muitos já não suportam (2Tm 4, 3).

Desde o início ele sabia que enfrentaria isso. Todos se lembram do que ele disse na Missa de início do seu pontificado: "Rogai por mim, para que não fuja, por medo, diante dos lobos".

E ele, verdadeiramente, não está fugindo!

Continuemos rezando pelo Santo Padre, para que continue enfrentando valentemente os lobos, especialmente aqueles que se disfarçam de ovelhas.


Oremos pelo nosso beatíssimo Papa Bento XVI. O Senhor o conserve, lhe dê vida e o torne feliz na terra, e não o entregue em poder dos seus inimigos. Amém.



Papa não poderia trocar tesouros do Vaticano por comida para África

Alberto Juesas Escudero, um jovem espanhol, lançou um abusado desafio no Facebook: Por que o Vaticano não troca todos os seus tesouros por comida para a África?

O desafio é abusado, mas passou longe da originalidade...

Não é de hoje que a Igreja é "convidada" a se desfazer do incalculável tesouro que se encontra em suas dependências.

De qualquer forma, conforme a notícia abaixo, o Cardeal Paul Josef Cordes esclarece mais uma vez aquilo que muitos teimam em não entender: a Igreja simplesmente não pode se desfazer desse tesouro. E ainda por cima deve zelar por ele! Mais do que obter lucros, a Igreja tem é despesas com essas obras!

Segue a notícia de Zenit:


Papa não poderia trocar tesouros do Vaticano por comida para África

A proposta lançada no Facebook é mais complicada do que parece


Por Jesús Colina

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 13 de março de 2009 (ZENIT.org).- «Trocar tesouros do Vaticano por comida para a África. Topa?». Com esta mensagem um internauta abriu um espaço no Facebook. Em poucos dias, até esta sexta-feira pela manhã, 32.146 membros haviam aderido.

O cardeal Paul Josef Cordes, presidente do Conselho Pontifício Cor Unum, esclarece que, independentemente do aspecto provocador ou ideológico da proposta, o Papa não poderia aplicá-la, pois o direito internacional o impede.

O presidente do organismo da Santa Sé responsável pela orientação e coordenação entre as organizações e as atividades caritativas promovidas pela Igreja Católica explicou a situação à Zenit em um encontro com jornalistas.

A iniciativa do Facebook foi lançada por um jovem espanhol, Alberto Juesas Escudero, que explica a proposta com alguns argumentos. Alguns deles são: «Porque é uma vergonha ver as riquezas do Vaticano e depois o noticiário».

Outros dos argumentos são: «Porque não admitem seus erros jamais. Porque não pregam com o exemplo. Porque Jesus nasceu em uma manjedoura e vivia em pobreza».

A motivação conclui com expressões ofensivas: «Que vergonha o Vaticano! Que vergonha a religião católica!».

Em sua resposta à pergunta da Zenit, o cardeal Cordes explica que ele escuta este tipo de propostas há 40 anos, e que antes elas se repetiam até mais.

Explica que quando João Paulo II o chamou a Roma para colaborar com ele na Cúria Romana, «o clima era muito forte contra o Vaticano. Então, naquela época, eu me informei e descobri que a Igreja não pode fazer o que quer com as obras de arte que estão no Vaticano».

Na realidade, esclarece, a Igreja «tem a tarefa de conservar as obras de arte em nome do Estado Italiano. Não pode vendê-las».

O purpurado não só cita a teoria, mas sobretudo se refere à realidade. Explica que, quando nos anos 60 um benfeitor alemão fez uma doação para restaurar o Colégio Teutônico, que se encontra dentro do Vaticano, a direção dessa residência, como gesto de agradecimento, deu-lhe uma estátua simples, que não tinha um valor comparável a outras que se encontram nos Museus Vaticanos, que se encontrava dentro do colégio.

Essa pessoa teve muitíssimos problemas com o Estado italiano, pois foi acusado de subtrair bens que a Itália deve custodiar, explicou o cardeal.

«Em todas as nações há medidas para a defesa das obras de arte, porque o Estado deve mantê-las», declara, recordando que os bens da Santa Sé também fazem parte da história cultural da Itália.

O cardeal recorda, por outro lado, que sem a obra da Igreja Católica, o sistema de saúde e educativo de algumas regiões da África não existiria.

«Presidentes africanos reconhecem quando vêm encontrar com o Papa», explica o cardeal Cordes.

Sem a Igreja na África, uma parte dos portadores do HIV ficaria abandonada, pois a Igreja, com sua rede de hospitais, é a instituição que acolhe o maior número de pessoas com este vírus.

Segundo explica o cardeal Cordes, ao atrair o interesse dos meios de informação do mundo por sua próxima viagem à África (Camarões e Angola), de 17 a 23 de março, o Papa centrará a atenção nas necessidades que a África vive, impulsionando ao mesmo tempo medidas concretas de autêntica solidariedade e respeito.

quinta-feira, 12 de março de 2009

CARTA DE SUA SANTIDADE BENTO XVI AOS BISPOS DA IGREJA CATÓLICA

CARTA DE SUA SANTIDADE BENTO XVI
AOS BISPOS DA IGREJA CATÓLICA

a propósito da remissão da excomunhão
aos quatro Bispos consagrados pelo Arcebispo Lefebvre


Amados Irmãos no ministério episcopal!

A remissão da excomunhão aos quatro Bispos, consagrados no ano de 1988 pelo Arcebispo Lefebvre sem mandato da Santa Sé, por variadas razões suscitou, dentro e fora da Igreja Católica, uma discussão de tal veemência como desde há muito tempo não se tinha experiência. Muitos Bispos sentiram-se perplexos perante um facto que se verificou inesperadamente e era difícil de enquadrar positivamente nas questões e nas tarefas actuais da Igreja. Embora muitos Bispos e fiéis estivessem, em linha de princípio, dispostos a considerar positivamente a decisão do Papa pela reconciliação, contra isso levantava-se a questão acerca da conveniência de semelhante gesto quando comparado com as verdadeiras urgências duma vida de fé no nosso tempo. Ao contrário, alguns grupos acusavam abertamente o Papa de querer voltar atrás, para antes do Concílio: desencadeou-se assim um avalanche de protestos, cujo azedume revelava feridas que remontavam mais além do momento. Por isso senti-me impelido a dirigir-vos, amados Irmãos, uma palavra esclarecedora, que pretende ajudar a compreender as intenções que me guiaram a mim e aos órgãos competentes da Santa Sé ao dar este passo. Espero deste modo contribuir para a paz na Igreja.

Uma contrariedade que eu não podia prever foi o facto de o caso Williamson se ter sobreposto à remissão da excomunhão. O gesto discreto de misericórdia para com quatro Bispos, ordenados válida mas não legitimamente, de improviso apareceu como algo completamente diverso: como um desmentido da reconciliação entre cristãos e judeus e, consequentemente, como a revogação de quanto, nesta matéria, o Concílio tinha deixado claro para o caminho da Igreja. E assim o convite à reconciliação com um grupo eclesial implicado num processo de separação transformou-se no seu contrário: uma aparente inversão de marcha relativamente a todos os passos de reconciliação entre cristãos e judeus feitos a partir do Concílio – passos esses cuja adopção e promoção tinham sido, desde o início, um objectivo do meu trabalho teológico pessoal. O facto de que esta sobreposição de dois processos contrapostos se tenha verificado e que durante algum tempo tenha perturbado a paz entre cristãos e judeus e mesmo a paz no seio da Igreja, posso apenas deplorá-lo profundamente. Disseram-me que o acompanhar com atenção as notícias ao nosso alcance na internet teria permitido chegar tempestivamente ao conhecimento do problema. Fica-me a lição de que, para o futuro, na Santa Sé deveremos prestar mais atenção a esta fonte de notícias. Fiquei triste pelo facto de inclusive católicos, que no fundo poderiam saber melhor como tudo se desenrola, se sentirem no dever de atacar-me e com uma virulência de lança em riste. Por isso mesmo sinto-me ainda mais agradecido aos amigos judeus que ajudaram a eliminar prontamente o equívoco e a restabelecer aquela atmosfera de amizade e confiança que, durante todo o período do meu pontificado – tal como no tempo do Papa João Paulo II –, existiu e, graças a Deus, continua a existir.

Outro erro, que lamento sinceramente, consiste no facto de não terem sido ilustrados de modo suficientemente claro, no momento da publicação, o alcance e os limites do provimento de 21 de Janeiro de 2009. A excomunhão atinge pessoas, não instituições. Um ordenação episcopal sem o mandato pontifício significa o perigo de um cisma, porque põe em questão a unidade do colégio episcopal com o Papa. Por isso a Igreja tem de reagir com a punição mais severa, a excomunhão, a fim de chamar as pessoas assim punidas ao arrependimento e ao regresso à unidade. Passados vinte anos daquelas ordenações, tal objectivo infelizmente ainda não foi alcançado. A remissão da excomunhão tem em vista a mesma finalidade que pretende a punição: convidar uma vez mais os quatro Bispos ao regresso. Este gesto tornara-se possível depois que os interessados exprimiram o seu reconhecimento, em linha de princípio, do Papa e da sua potestade de Pastor, embora com reservas em matéria de obediência à sua autoridade doutrinal e à do Concílio. E isto traz-me de volta à distinção entre pessoa e instituição. A remissão da excomunhão era um provimento no âmbito da disciplina eclesiástica: as pessoas ficavam libertas do peso de consciência constituído pela punição eclesiástica mais grave. É preciso distinguir este nível disciplinar do âmbito doutrinal. O facto de a Fraternidade São Pio X não possuir uma posição canónica na Igreja não se baseia, ao fim e ao cabo, em razões disciplinares mas doutrinais. Enquanto a Fraternidade não tiver uma posição canónica na Igreja, também os seus ministros não exercem ministérios legítimos na Igreja. Por conseguinte, é necessário distinguir o nível disciplinar, que diz respeito às pessoas enquanto tais, do nível doutrinal em que estão em questão o ministério e a instituição. Especificando uma vez mais: enquanto as questões relativas à doutrina não forem esclarecidas, a Fraternidade não possui qualquer estado canónico na Igreja, e os seus ministros – embora tenham sido libertos da punição eclesiástica – não exercem de modo legítimo qualquer ministério na Igreja.

À luz desta situação, é minha intenção unir, futuramente, a Comissão Pontifícia «Ecclesia Dei» – instituição competente desde 1988 para as comunidades e pessoas que, saídas da Fraternidade São Pio X ou de idênticas agregações, queiram voltar à plena comunhão com o Papa – à Congregação para a Doutrina da Fé. Deste modo torna-se claro que os problemas, que agora se devem tratar, são de natureza essencialmente doutrinal e dizem respeito sobretudo à aceitação do Concílio Vaticano II e do magistério pós-conciliar dos Papas. Os organismos colegiais pelos quais a Congregação estuda as questões que se lhe apresentam (especialmente a habitual reunião dos Cardeais às quartas-feiras e a Plenária anual ou bienal) garantem o envolvimento dos Prefeitos de várias Congregações romanas e dos representantes do episcopado mundial nas decisões a tomar. Não se pode congelar a autoridade magisterial da Igreja no ano de 1962: isto deve ser bem claro para a Fraternidade. Mas, a alguns daqueles que se destacam como grandes defensores do Concílio, deve também ser lembrado que o Vaticano II traz consigo toda a história doutrinal da Igreja. Quem quiser ser obediente ao Concílio, deve aceitar a fé professada no decurso dos séculos e não pode cortar as raízes de que vive a árvore.

Dito isto, espero, amados Irmãos, que tenham ficado claros tanto o significado positivo como os limites do provimento de 21 de Janeiro de 2009. Mas resta a questão: Tal provimento era necessário? Constituía verdadeiramente uma prioridade? Não há porventura coisas muito mais importantes? Certamente existem coisas mais importantes e mais urgentes. Penso ter evidenciado as prioridades do meu Pontificado nos discursos que pronunciei nos seus primórdios. Aquilo que disse então permanece inalteradamente a minha linha orientadora. A primeira prioridade para o Sucessor de Pedro foi fixada pelo Senhor, no Cenáculo, de maneira inequivocável: «Tu (…) confirma os teus irmãos» (Lc 22, 32). O próprio Pedro formulou, de um modo novo, esta prioridade na sua primeira Carta: «Estai sempre prontos a responder (…) a todo aquele que vos perguntar a razão da esperança que está em vós» (1 Ped 3, 15). No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele Deus que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf. Jo 13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. O verdadeiro problema neste momento da nossa história é que Deus possa desaparecer do horizonte dos homens e que, com o apagar-se da luz vinda de Deus, a humanidade seja surpreendida pela falta de orientação, cujos efeitos destrutivos se manifestam cada vez mais.

Conduzir os homens para Deus, para o Deus que fala na Bíblia: tal é a prioridade suprema e fundamental da Igreja e do Sucessor de Pedro neste tempo. Segue-se daqui, como consequência lógica, que devemos ter a peito a unidade dos crentes. De facto, a sua desunião, a sua contraposição interna põe em dúvida a credibilidade do seu falar de Deus. Por isso, o esforço em prol do testemunho comum de fé dos cristãos – em prol do ecumenismo – está incluído na prioridade suprema. A isto vem juntar-se a necessidade de que todos aqueles que crêem em Deus procurem juntos a paz, tentem aproximar-se uns dos outros a fim de caminharem juntos – embora na diversidade das suas imagens de Deus – para a fonte da Luz: é isto o diálogo inter-religioso. Quem anuncia Deus como Amor levado «até ao extremo» deve dar testemunho do amor: dedicar-se com amor aos doentes, afastar o ódio e a inimizade, tal é a dimensão social da fé cristã, de que falei na Encíclica Deus caritas est.

Em conclusão, se o árduo empenho em prol da fé, da esperança e do amor no mundo constitui neste momento (e, de formas diversas, sempre) a verdadeira prioridade para a Igreja, então fazem parte dele também as pequenas e médias reconciliações. O facto que o gesto submisso duma mão estendida tenha dado origem a um grande rumor, transformando-se precisamente assim no contrário duma reconciliação é um dado que devemos registar. Mas eu pergunto agora: Verdadeiramente era e é errado ir, mesmo neste caso, ao encontro do irmão que «tem alguma coisa contra ti» (cf. Mt 5, 23s) e procurar a reconciliação? Não deve porventura a própria sociedade civil tentar prevenir as radicalizações e reintegrar os seus eventuais aderentes – na medida do possível – nas grandes forças que plasmam a vida social, para evitar a segregação deles com todas as suas consequências? Poderá ser totalmente errado o facto de se empenhar na dissolução de endurecimentos e de restrições, de modo a dar espaço a quanto nisso haja de positivo e de recuperável para o conjunto? Eu mesmo constatei, nos anos posteriores a 1988, como, graças ao seu regresso, se modificara o clima interno de comunidades antes separadas de Roma; como o regresso na grande e ampla Igreja comum fizera de tal modo superar posições unilaterais e abrandar inflexibilidades que depois resultaram forças positivas para o conjunto. Poderá deixar-nos totalmente indiferentes uma comunidade onde se encontram 491 sacerdotes, 215 seminaristas, 6 seminários, 88 escolas, 2 institutos universitários, 117 irmãos, 164 irmãs e milhares de fiéis? Verdadeiramente devemos com toda a tranquilidade deixá-los andar à deriva longe da Igreja? Penso, por exemplo, nos 491 sacerdotes: não podemos conhecer toda a trama das suas motivações; mas penso que não se teriam decidido pelo sacerdócio, se, a par de diversos elementos vesgos e combalidos, não tivesse havido o amor por Cristo e a vontade de anunciá-Lo e, com Ele, o Deus vivo. Poderemos nós simplesmente excluí-los, enquanto representantes de um grupo marginal radical, da busca da reconciliação e da unidade? E depois que será deles?

É certo que, desde há muito tempo e novamente nesta ocasião concreta, ouvimos da boca de representantes daquela comunidade muitas coisas dissonantes: sobranceria e presunção, fixação em pontos unilaterais, etc. Em abono da verdade, devo acrescentar que também recebi uma série de comoventes testemunhos de gratidão, nos quais se vislumbrava uma abertura dos corações. Mas não deveria a grande Igreja permitir-se também de ser generosa, ciente da concepção ampla e fecunda que possui, ciente da promessa que lhe foi feita? Não deveremos nós, como bons educadores, ser capazes também de não reparar em diversas coisas não boas e diligenciar por arrastar para fora de mesquinhices? E não deveremos porventura admitir que, em ambientes da Igreja, também surgiu qualquer dissonância? Às vezes fica-se com a impressão de que a nossa sociedade tenha necessidade pelo menos de um grupo ao qual não conceda qualquer tolerância, contra o qual seja possível tranquilamente arremeter-se com aversão. E se alguém ousa aproximar-se do mesmo – do Papa, neste caso – perde também o direito à tolerância e pode de igual modo ser tratado com aversão sem temor nem decência.

Amados Irmãos, nos dias em que me veio à mente escrever-vos esta carta, deu-se o caso de, no Seminário Romano, ter de interpretar e comentar o texto de Gal 5, 13-15. Notei com surpresa o carácter imediato com que estas frases nos falam do momento actual: «Não abuseis da liberdade como pretexto para viverdes segundo a carne; mas, pela caridade, colocai-vos ao serviço uns dos outros, porque toda a lei se resume nesta palavra: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais mutuamente, tomai cuidado em não vos destruirdes uns aos outros». Sempre tive a propensão de considerar esta frase como um daqueles exageros retóricos que às vezes se encontram em São Paulo. E, sob certos aspectos, pode ser assim. Mas, infelizmente, este «morder e devorar» existe também hoje na Igreja como expressão duma liberdade mal interpretada. Porventura será motivo de surpresa saber que nós também não somos melhores do que os Gálatas? Que pelo menos estamos ameaçados pelas mesmas tentações? Que temos de aprender sempre de novo o recto uso da liberdade? E que devemos aprender sem cessar a prioridade suprema: o amor? No dia em que falei disto no Seminário Maior, celebrava-se em Roma a festa de Nossa Senhora da Confiança. De facto, Maria ensina-nos a confiança. Conduz-nos ao Filho, de Quem todos nós podemos fiar-nos. Ele guiar-nos-á, mesmo em tempos turbulentos. Deste modo quero agradecer de coração aos numerosos Bispos que, neste período, me deram comoventes provas de confiança e afecto, e sobretudo me asseguraram a sua oração. Este agradecimento vale também para todos os fiéis que, neste tempo, testemunharam a sua inalterável fidelidade para com o Sucessor de São Pedro. O Senhor nos proteja a todos nós e nos conduza pelo caminho da paz. Tais são os votos que espontaneamente me brotam do coração neste início da Quaresma, tempo litúrgico particularmente favorável à purificação interior, que nos convida a todos a olhar com renovada esperança para a meta luminosa da Páscoa.

Com uma especial Bênção Apostólica, me confirmo

Vosso no Senhor

BENEDICTUS PP. XVI

Vaticano, 10 de Março de 2009.