sexta-feira, 8 de maio de 2009

Ocidente não tem direito de impor preservativo a africanos


Carta aberta de um grupo de estudantes camaroneses

ROMA, quarta-feira, 6 de maio de 2009 (ZENIT.org).- «Dizemos com firmeza nosso ‘não’ a este modelo cultural totalmente estranho a nossos valores e tradições, que nos está sendo imposto como determinante da melhoria de nossa vida.» Com estas palavras, um grupo de estudantes dos Camarões divulgou na Europa uma carta aberta, recebida pela Zenit, contra os ataques ao Papa por suas palavras sobre o preservativo, durante a viagem apostólica a Camarões e Angola no mês de março passado.

Nela, exige-se ao Diretor executivo do Fundo Mundial para a luta contra a AIDS, aos deputados belgas e aos ministros de Saúde espanhol, alemão e de Exterior francês, que «peçam perdão ao Papa e aos africanos».

Este grupo denuncia que a imprensa ocidental «instrumentalizou injustamente, em uma violenta campanha sabidamente orquestrada» as palavras do Papa, e que os ataques recebidos por este constituem «uma vergonhosa ingerência na realidade africana».

Os assinantes afirmam que os autores das críticas «identificaram o continente africano como um dos principais mercados de chegada dos preservativos para fazer crescer suas economias sociais. O jogo está claro: as indústrias do preservativo estão no Ocidente».

«O Santo Padre tocou na chave do problema, alarmando os agentes deste florescente negócio na África», acusam.

Para estes estudantes, utilizou-se o Papa como «bode expiatório» para «defender seus interesses econômicos ocultos após a exportação de suas práticas contraconceptivas a países com forte crescimento demográfico».

«Que promovam e defendam o uso do preservativo em sua casa, já que esta escolha corresponde às suas concepções antropológicas sobre o ser humano, mas não têm direito a impor suas escolhas aos africanos», acrescentam.

Especialmente, exigem ao Ocidente que «peça perdão aos africanos» por «enganá-los, apresentando-se como os verdadeiros benfeitores, quando na realidade não o são».

«De que serve proteger os africanos com o preservativo se depois os matam com tantos mecanismos de exploração ou com as armas pela guerra de interesses políticos e econômicos desses mesmos benfeitores?»

As pessoas na África «não morrem apenas de AIDS, e por isso é mentira dizer que o preservativo salva vidas humanas», acrescentam.

«Pedimos, portanto, a estes supostos benfeitores da África que deixem, de uma vez por todas, de especular com ela. É necessário inverter a tendência: a pobreza da África não deve fazer mais a riqueza dos países já desenvolvidos.»

Por último, os autores exigem ao Fundo para a luta contra a AIDS que destine os fundos com os quais conta «ao envio massivo de recursos para escavar poços de água e para construir implantes fotovoltaicos para a produção de energia solar, com o qual se favoreça uma distribuição massiva de água e luz».

«Estes são os bens essenciais e decisivos para a África, e todos os agentes da cooperação internacional ao desenvolvimento são muito conscientes disso. Esta é a ajuda humanitária que a África precisa para desenvolver-se, e não o preservativo», concluem.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

No descompasso da Igreja

Em dezembro de 2007 Dom Vilson Dias de Oliveira, bispo de Limeira, concedeu uma entrevista ao "Jornal de Limeira". Tomei conhecimento agora através do blog Fratres in Unum.

Embora já tenha mais de ano essa entrevista, gostaria de tecer alguns comentários aqui sobre os dizeres de Dom Vilson.

Nessa entrevista, entre outras coisas, ele foi questionado sobre a liberação da Missa Tridentina, a ordenação de mulheres e a Teologia da Libertação. Nos três casos o senhor bispo ou mentiu, ou omitiu, ou está completamente desinformado sobre o que acontece na Santa Igreja.

Sobre a Missa, afirma Dom Vilson: "O papa tentou responder para comunidades mais tradicionais. Na verdade, existem grupos no mundo hoje que têm essa linha tradicionalista, de poder rezar em latim. Acho que o papa tentou não desmerecer esse pessoal e deixou em aberto. Agora, isso não quer dizer que na Diocese de Limeira vai ter missa em latim. Diria que depois do Concílio (2º Concílio do Vaticano, em 1963), quando se celebraram as missas em português, as pessoas passaram a participar mais. Felizmente não temos esses grupos ultraconservadores na diocese. Eu não faria polêmica em torno dessa história. Rezamos na nossa língua e vamos continuar assim. Vamos ter missa em português e ponto final. Desde o Vaticano 2º houve muitos avanços".

Primeiro - foi um capricho dos reformadores liturgicos, e não do Concílio, a total liberação do vernáculo na liturgia, o que era para ser excessão virou regra. O Concílio na verdade mandou que se mantivesse o latim na Missa.

Segundo - sobre as intenções do Santo Padre ao publicar o Motu Proprio Summorum Pontificum, afirma o Cardeal Cañizares (prefeito da Congregação para o Culto Divino e antigo colaborador do Papa, a ponto de ser conhecido como "o pequeno Ratzinger") ao prefaciar o livro A Reforma de Bento XVI: "a vontade do Papa não foi unicamente satisfazer aos seguidores de Dom Lefebvre, nem limitar-se a responder aos justos desejos dos fiéis que se sentem ligados, por diversos motivos, à herança litúrgica representada pelo rito romano, mas também, e de maneira especial, abrir a riqueza litúrgica da Igreja A TODOS OS FIÉIS, tornando possível assim a descoberta dos tesouros do patrimônio litúrgico da Igreja a quem ainda o ignora. Quantas vezes a atitude dos que os menosprezam não é devida a outra coisa senão a este desconhecimento! Por isso, considerado a partir deste último aspecto, o Motu Proprio tem sentido transcendente à existência ou não de conflitos: ainda quando não houvesse nenhum “tradicionalista” a quem satisfazer, este “descobrimento” teria sido suficiente para justificar as disposições do Papa.

Será que é necessário acrescentar algo às palavras do Cardeal?

Em outro momento, e este é o mais grave, Dom Vilson se sai com essa sobre o sacerdócio feminino: "Agora, você vai dizer: "amanhã pode acontecer?". Pode ser, você tem que respeitar a caminhada da Igreja, o tempo. Por enquanto, a Igreja diz que não, por enquanto não posso levantar uma bandeira e dizer "faça isso". Eles olham a experiência do passado para olhar essa questão. Diria o seguinte: na América Latina, a mulher hoje participa muito mais, tem maior presença da Igreja, é mais engajada, mais participante. Ela não é só maior em número, ela tem maior participação nos ministérios da igreja".

Será que ele desconhece a Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis, de João Paulo II?

Nela o Papa de venerável memória afirma: "Portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cfr Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja".

Por fim, Dom Vilson ainda faz um afago nessa praga dos infernos chamada Teologia da Libertação, que já foi devidamente condenana pela Santa Sé. Afirma ele que trata-se de uma teolgia como qualquer outra e quem tem seus méritos. E ainda contraria o óbvio ululante, contraria os fatos históricos ao afirmar que a Teologia da Libertação não ajudou a fundar o PT! Até os inglesas da "The Economist" sabem disso!

É no mínimo curiosos a maneira como Dom Vilson se comporta nesses três casos. Aquilo que o Papa libera, o bispo condena de forma taxativa: "Vamos ter missa em português e ponto final". Aquilo que os Papa condenam, o bispo leva em consideração: "a ordenação de mulheres é possível e a Teologia da Libertação tem seus méritos".

Dom Vilson parece seguir à risca o modo de agir da CNBB (conforme já escrevi aqui), que condena o que não precisa e é omissa ou ambígua com o que deveria condenar.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Prefácio do Cardeal Cañizares

Publico abaixo o excelente prefácio escrito pelo Cardeal Cañizares para o livro "A Reforma de Bento XVI - a liturgia entre a inovação e a tradição".

Destaco as seguintes palavra do Cardeal: "[devemos todos] aproveitar o que o Santo Padre – quando ainda era o cardeal Joseph Ratzinger – escreveu sobre o tema, especialmente em seu belíssimo livro Introdução ao Espírito da Liturgia, enriquecer-se com o modo com que o Santo Padre – assistido pela Oficina das celebrações litúrgicas presidida pelo Mons. Guido Marini, e da qual é consultor o autor deste livro – celebra a liturgia. Estas liturgias pontifícias são exemplares para todo o orbe católico. "


Com efeito, Bento XVI está pondo à mostra todo o tesouro liturgico da Igreja. Só não vê esse tesouro quem precisamente não quer ver...

Deus nos deu a imensa graça de termos em momento oportuno um Papa apaixonado por liturgia, que zela por ela, que a celebra com todo o amor e dignidade. Aos poucos o Santo Padre está restaurando em suas celebrações paramentos, gestos, disposições do altar, entre outras coisas que tristemente foram se perdendo no tempo. Mais do que com palavras, ele está ensinando com seu próprio exemplo!










A edição espanhola do livro "A Reforma de Bento XVI" de don Nicola Bux é prefaciado pelo Cardeal Cañizares.









Prefácio do Cardeal Cañizares:


Desde a publicação deste livro até a presente edição espanhola não passaram mais que uns poucos meses. Todavia, a transcendência de certos fatos ocorridos neste lapso de tempo modificou enormemente o “clima” em torno de sua temática, especialmente pelo ambiente de controvérsia que se criou em razão do levantamento das excomunhões dos quatro bispos ordenados há vinte anos por Dom Lefebvre. Este gesto de misericórdia gratuita do Santo Padre para tornar possível a sua plena inserção eclesial, que demonstra com fatos que a Igreja não renega sua tradição, fez com que a “Missa Tradicional” acabe ligada a um problema disciplinar e, pior ainda, político.

Como consequência, existe o risco de uma desfiguração do sentido profundo do Motu Proprio de 7 de julho de 2007; um gesto de extraordinário sentido comum eclesial pelo qual se reconheceu o valor pleno de um rito que nutriu espiritualmente a Igreja Ocidental durante séculos.

Não há dúvida de que um aprofundamento e uma renovação da liturgia eram necessários.

Porém, com frequência, está não foi uma realização perfeitamente alcançada. A primeira parte da constituição Sacrosanctum Concilium não entrou no coração do povo cristão. Houve uma mudança nas formas, uma reforma, não, porém uma verdadeira renovação, tal e como pediam os Padres conciliares. Às vezes, mudou-se pelo simples gosto de mudar um passado percebido como totalmente negativo e superado, concebendo a reforma como uma ruptura e não como um desenvolvimento orgânico da tradição. Isto criou reações e resistências desde o princípio, que em alguns casos se concretizaram em posições e atitudes que levaram a soluções extremas, inclusive a ações concretas que implicavam penas canônicas. É urgente, entretanto, distinguir o problema disciplinar surgido de atitudes de desobediência de um grupo, do problema doutrinal e litúrgico.

Se cremos de verdade que a Eucaristia é realmente a “fonte e o ápice da vida cristã” – como nos recorda o Concílio Vaticano II – não podemos admitir que seja celebrada de um modo indigno. Para muitos, aceitar a reforma conciliar significou celebrar uma Missa que de um modo ou de outro devia ser “dessacralizada”. Quantos sacerdotes vimos ser tratados como “retrógrados” ou “anticonciliares” pelo simples fato de celebrarem de maneira solene, piedosa ou simplesmente por obedecerem cabalmente às rubricas! É peremptório sair desta dialética.

A reforma foi aplicada e principalmente vivida como uma mudança absoluta, como se se devesse criar um abismo entre o pré e o pós Concílio, em um contexto em que o termo “pré-conciliar” era usado como um insulto. Aqui também se deu o fenômeno que o Papa observa em sua recente carta aos bispos de 10 de março de 2009: “Às vezes se tem a impressão de que nossa sociedade tenha necessidade de um grupo, ao menos, com o qual não tenha tolerância alguma, o qual se pode atacar com ódio”. Durante este ano foi o caso, em boa medida, dos sacerdotes e fiéis ligados à forma de Missa herdada através dos séculos, tratados muitas vezes como “leprosos”, como dizia de forma contundente o então cardeal Ratzinger.

Hoje em dia, graças ao Motu Proprio, esta situação está mudando notavelmente. E em grande medida está acontecendo porque a vontade do Papa não foi unicamente satisfazer aos seguidores de Dom Lefebvre, nem limitar-se a responder aos justos desejos dos fiéis que se sentem ligados, por diversos motivos, à herança litúrgica representada pelo rito romano, MAS TAMBÉM, E DE MANEIRA ESPECIAL, ABRIR A RIQUEZA LITÚRGICA DA IGREJA A TODOS OS FIÉIS, TORNANDO POSSÍVEL ASSIM A DESCOBERTA DOS TESOUROS DO PATRIMÔNIO LITÚRGICO DA IGREJA A QUEM AINDA O IGNORA. Quantas vezes a atitude dos que os menosprezam não é devida a outra coisa senão a este desconhecimento! Por isso, considerado a partir deste último aspecto, o Motu Proprio tem sentido transcendente à existência ou não de conflitos: ainda quando não houvesse nenhum “tradicionalista” a quem satisfazer, este “descobrimento” teria sido suficiente para justificar as disposições do Papa.

Foi dito também que tais prescrições seriam um “atentado” contra o Concílio, isto, porém mostra um desconhecimento do mesmo Concílio, cuja intenção de dar a todos os fiéis a ocasião de conhecer e apreciar os múltiplos tesouros da liturgia da Igreja é precisamente o que desejou ardentemente esta magna assembleia: “O Sacrossanto Concílio, apegando-se fielmente à tradição, declara que a Santa Mãe Igreja atribui igual direito e honra a todos os ritos legitimamente reconhecidos e quer que no futuro sejam conservados e fomentados por todos os meios” (SC 4).

Por outro lado, estas disposições não são uma novidade; a Igreja sempre as manteve, e quando ocasionalmente não foi assim, as consequências foram trágicas. Não apenas foram respeitados os ritos do Oriente, mas também no Ocidente dioceses como Milão, Lyon, Colônia, Braga e diversas ordens religiosas conservaram pacificamente seus diversos ritos através dos séculos. Porém, o antecedente mais claro da situação atual é, sem dúvida, a Arquidiocese de Toledo. O Cardeal Cisneros usou de todos os meios para conservar como “extraordinário” na arquidiocese o rito moçárabe que estava em vias de extinção; não somente fez imprimir o Missal e o Breviário, como criou uma capela especial na Igreja Catedral, onde se celebra ainda hoje cotidianamente neste rito.

Esta variedade ritual não significou nunca, nem pode significar, diferença doutrinal, mas pelo contrário, põe em relevo uma profunda identidade de fundo. Entre os ritos atualmente em uso é necessário que se dê também esta mesma unidade. A tarefa atual, tal e como nos indica o presente livro de don Nicola Bux, é pôr em evidência a identidade teológica entre a liturgia dos diversos ritos que foram celebrados através dos séculos e a nova liturgia fruto da reforma, ou ainda, se esta identidade se houvesse desfigurado, recuperá-la.

A Reforma de Bento XVI é, pois, um livro rico em dados, reflexões e ideias, e dentre os múltiplos assuntos nele tratados gostaria de ressaltar alguns pontos:
O primeiro é acerca do nome com o qual chamar a esta Missa. O autor propões chamá-la, ao estilo oriental, “liturgia de São Gregório Magno”. É talvez melhor que dizer simplesmente “gregoriana”, pois pode prestar-se a um duplo equívoco (que poderia em todo caso evitar-se com a denominação “dâmaso-gregoriana”). Também é mais conveniente que “Missa tradicional”, onde o adjetivo corre o perigo de contaminar-se com uma carga ou bem polêmica ou bem “folclórica”; ou que “modo extraordinário”, que é uma denominação demasiadamente extrínseca. “Usus antiquior” tem o defeito de ser uma referência meramente cronológica.

Por outro lado, “usus receptus” seria muito técnico. “Missal de São Pio V” ou “do Beato João XXIII” são termos demasiadamente limitados. O único inconveniente é que no rito bizantino já há uma liturgia de São Gregório, Papa de Roma; a dos dons pré-santificados usado na quaresma.

Em segundo lugar, o fato de que o uso seja “extraordinário” não deve significar que deva ser usado somente por sacerdotes e fiéis que se ligam ao modo extraordinário. Como propõe o padre Bux, seria muito positivo que quem celebra habitualmente no modo “ordinário”, o faça também, extraordinariamente, no “extraordinário”. Trata-se de um tesouro que é herança de todos e ao qual, de uma maneira ou de outra, todos deveriam ter acesso. Por isso, poder-se-ia propor especialmente para ocasiões em que há alguma riqueza peculiar do antigo missal que se pode aproveitar (sobretudo se no outro calendário não há nada especialmente previsto): por exemplo, para o tempo da Septuagésima, para as quatro Têmporas ou para a Vigília de Pentecostes e, talvez, até no caso de certas comunidades especiais, tanto de vida consagrada como confrarias ou irmandades. A celebração “extraordinária” também seria de grande utilidade para os ofícios da Semana Santa, ao menos em alguns deles, pois todos os ritos conservam no Tríduo Sagrado cerimônias e orações que remontam a épocas mais antigas da Igreja.

Outro ponto que é necessário destacar é a atitude de Bento XVI; não constitui tanto uma novidade nem câmbio de rumo de governo, mas sim leva à sua concretização o que já João Paulo II havia empreendido como iniciativas tais como o documento papal Quattuor abhinc annos, a consulta à comissão de Cardeais, o Motu Proprio Ecclesia Dei e a criação da Comissão de mesmo nome, ou as palavras dirigidas à Congregação do Culto Divino (2003).

Algo que se deve urgentemente ter em conta é a repercussão ecumênica destas discussões; as críticas dirigidas ao rito recebido da tradição romana alcançam também a outras tradições e sobretudo a dos irmãos ortodoxos. Quase todos os ataques dos que se opõem à reintrodução do missal antigo são precisamente ataque aos lugares que temos em comum com os orientais! Um sinal que confirma este fato são as expressões positivas do recentemente falecido Patriarca de Moscou ao publicar-se o Motu Proprio.

Não é um dos aspectos menos importantes deste livro o fato de que nos ajude a tomar consciência dos diversos aspectos da situação em que nos encontramos atualmente. Nossa geração enfrenta grandes desafios em matéria litúrgica: ajudar toda a Igreja a seguir plenamente o que indicou o Concílio Vaticano II na constituição Sacrosanctum Concilium e o que o Catecismo da Igreja Católica diz sobre a liturgia, aproveitar o que o Santo Padre – quando ainda era o cardeal Joseph Ratzinger – escreveu sobre o tema, especialmente em seu belíssimo livro Introdução ao Espírito da Liturgia, enriquecer-se com o modo com que o Santo Padre – assistido pela Oficina das celebrações litúrgicas presidida pelo Mons. Guido Marini, e da qual é consultor o autor deste livro – celebra a liturgia. Estas liturgias pontifícias são exemplares para todo o orbe católico.

Por último, acrescento que seria de grande importância que tudo isto se expusesse com profundidade nos seminários como parte integrante da formação para o sacerdócio, para proporcionar um conhecimento teórico-prático das riquezas litúrgicas, não somente do rito romano, mas também, na medida do possível, dos diversos ritos do Oriente e do Ocidente, e assim criar uma nova geração de sacerdotes livres de preconceitos dialéticos.

Oxalá este valioso livro de don Nicola Bux sirva para conhecer melhor as intenções do Santo Padre e descobrir as riquezas da herança recebida e, desse modo, para iluminar-nos em nossa ação. Para isto, peçamos ao Senhor saber interpretar, como dizia Paulo VI, os “sinais dos tempos”.

+ Antonio, cardeal Cañizares




O Trabalho

Na semana passada escrevi aqui sobre a fatídica "Mensagem da CNBB para o Dia do Trabalhador", que condena a crise, os banqueiros, os empresários, etc., mas não trata daquilo que realmente importa.

Comparem com o artigo abaixo, de Dom Fernando Arêas Rifan, bispo da Adm. Apost. S. João Maria Vianney. Vejam quanta diferença entre o texto de uma instituição, a CNBB, que não tem visão sobrenatural, não tem seus olhos no céu, esquecem que o Reino de Cristo não é deste mundo, e as palavras de um bispo que fala aquilo que em primeiro lugar importa ao seu rebanho.

Dom Fernando fala de "harmonia entre classes", a CNBB incita a luta entre elas. Dom Fernando ensina o significado do trabalho antes e depois do pecado, a CNBB passa longe disso. Dom Fernando fala de santificação do trabalho, a CNBB sabe é que é santificação?

Enfim, nos resta rezar por nossos bispos. Por uns para que sejam perseverantes na Fé e em sua missão, por outros para que retornem à Fé e compreendam sua missão...

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O Trabalho


O mês de maio, mês de Maria, começou com a festa de São José operário. Desejoso de elevar o dia do trabalho, já mundialmente comemorado, e ajudar os trabalhadores a santificar o seu dia, o Papa Pio XII instituiu a festa de São José operário, modelo do trabalhador. São José, de origem nobre da Casa de Davi, ganhando a vida como simples carpinteiro, harmoniza bem a união de classes que deve existir em uma sociedade cristã, onde predominam a justiça e a caridade. Por isso, ele é o patrono dos trabalhadores.

O trabalho é obra de Deus. Deus, ao criar o homem, colocou-o no jardim do Éden para nele trabalhar. O trabalho existe, portanto, antes do pecado. Depois deste, passou a ter a conotação de penitência, pois adquiriu uma nota de dificuldade e o necessário esforço para desempenhá-lo: “Comerás o pão com o suor do teu rosto” (Gn 3,19).

Assim, o trabalho tem o aspecto natural necessário para o nosso sustento e o aspecto adicional de penitência, pois ele contraria nossa tendência, exacerbada pelo pecado, à preguiça e ao relaxamento. O trabalho é algo muito digno e nobre, seja ele qual for, desde que seja honesto e nos encaminhe para Deus, seu autor.

Em sua exortação apostólica Redemptoris Custos, sobre a figura e a missão de São José, o Papa João Paulo II fala sobre o trabalho como expressão do amor. “A expressão quotidiana deste amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho. O texto evangélico especifica o tipo de trabalho, mediante o qual José procurava garantir a sustentação da Família: o trabalho de carpinteiro. Esta simples palavra envolve toda a extensão da vida de José. Para Jesus este período abrange os anos da vida oculta, de que fala o Evangelista, a seguir ao episódio que sucedeu no templo: «Depois, desceu com eles para Nazaré e era-lhes submisso» (Lc 2, 51). Esta submissão, ou seja, a obediência de Jesus na casa de Nazaré é entendida também como participação no trabalho de José. Aquele que era designado como o ‘filho do carpinteiro’, tinha aprendido o ofício de seu ‘pai’ adotivo. Se a Família de Nazaré, na ordem da salvação e da santidade, é exemplo e modelo para as famílias humanas, é-o analogamente também o trabalho de Jesus ao lado de José carpinteiro. Na nossa época, a Igreja pôs em realce isto mesmo, também com a memória de São José Operário, fixada no primeiro de maio. O trabalho humano, em particular o trabalho manual, tem no Evangelho uma acentuação especial. Juntamente com a humanidade do Filho de Deus ele foi acolhido no mistério da Encarnação, como também foi redimido de maneira particular. Graças ao seu banco de trabalho, junto do qual exercitava o próprio ofício juntamente com Jesus, José aproximou o trabalho humano do mistério da Redenção.”

“Trata-se, em última análise, da santificação da vida quotidiana, no que cada pessoa deve empenhar-se, segundo o próprio estado, e que pode ser proposta apontando para um modelo accessível a todos: São José é o modelo dos humildes, que o Cristianismo enaltece para grandes destinos; é a prova de que para ser bons e autênticos seguidores de Cristo não se necessitam grandes coisas, mas requerem-se somente virtudes comuns, humanas, simples e autênticas.”


Dom Fernando Arêas Rifan
Bisbo Titular de Cedamusa
Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

terça-feira, 5 de maio de 2009

Eu rezo o terço!

Eu rezo o terço! Esse é o lema da campanha para este mês de Maio idealizada pelo site H2O e que me chegou através do Blog do Christiano.

O vídeo da campanha é em inglês mas tem legendas em espanhol, é compreensível. De qualquer forma, as imagens falam por si só.

Maio é especialmente dedicado à Nossa Senhora, rezemos o terço!


quinta-feira, 30 de abril de 2009

Crise de indentidade e crise de Fé


Crise de identidade


Leia primeiro a notícia "Trabalho veta o capital na missa do 1º de Maio - Cardeal queria convidar empresários: pastoral não deixou".

Parece até mentira, mas um Cardeal da Santa Igreja não consegue realizar sua legítima vontade dentro de sua própria Catedral, submetendo-se aos desmandos de um leigo comunista membro de uma dessas onipresentes e onipotentes pastorais.

E não satisfeito em determinar o que pode e o que não pode acontecer dentro da Catedral de Sé de São Paulo, o dito leigo comunista ainda determina os temas que não podem faltar na homilia do senhor bispo!

E todos se calam e aceitam!!!

Parem o mundo que eu quero descer! Algo está errado, não é possível!


Crise de Fé


A CNBB adora se manifestar sobre temas políticos e econômicos, mas se cala sobre temas doutrinais e litúrgicos (e quando se manifesta, mais atrapalha do que ajuda, vide o caso Dom José Cardoso Sobrinho).

Publicou esses dias uma "Declaração contra redução da maioridade penal". Onde praticamente fez uma definição "dogmática", afirmando que a CNBB é contra a redução da maioridade penal. Veja que não foram passadas orientações ou levantados tópicos para debate, mas definido que a CNBB é contra. E se a conferência é contra, em tese todos os católicos deveriam ser...

Ora, mas esse é um tema onde a Fé não obriga em nada. Qualquer católico pode ser contra ou a favor da redução da maioridade penal, sem prejuízos para sua Fé. E se é assim, por que a CNBB emitir uma declaração dessas sendo tão taxativa?

Bom mesmo seria se a CNBB agisse da mesma forma contra os abusos litúrgicos (a propósito, cadê a tradução do Missal publicado por João Paulo II em 2002? Será que estão com medo de não terem sua absurda tradução aprovada desta vez?), contra as heresias da Teologia da Libertação, contra o governo abortista do PT, etc... etc... etc...

Mas não, sobre tudo isso silêncio ou quando muito ambiguidades... Quero frisar que, obviamente, não nego a importância e a necessidade de os bispos se manifestarem em temas políticos e econômicos, os fiéis precisam receber orientação de seus pastores sobre esses temas. O problema é que dá para contar nos dedos de uma única mão quando a CNBB se manifesta sobre temas doutrinários, liturgicos e morais; ao passo que são incontáveis suas intervenções em matérias políticas e econômicas (e ainda por cima com o viés marxista da Teologia da Libertação, essa praga que devastou o Brasil)

Agora, para o Dia do Trabalho (que estranhamente a CNBB mudou para Dia do Trabalhador) foi publicada uma nota.

Como era de se esperar, a nota critica a crise, o neoliberalismo, os banqueiros, etc.

Mas nem uma palavra sobre a santificação no trabalho (vide oração abaixo). Afinal, é por isso que o Dia do Trabalho é comemorado no dia de São José Operário, pela dignidade, retidão e dedicação com que executava seu ofício de carpinteiro. E não porque porventura teria sido um agitador sindical.

Mas não, a CNBB (que alguns, aliás, já a chamam de "sindicato dos bispos") não consegue erguer seus olhos além da terra, não consegue olhar para o céu, não tem visão sobrenatural. Suas preocupações estão aqui, bem enraizadas nesse mundo, infelizmente. Vide as bizarras Campanhas da Fraternidade, que desviam completamente a atenção do povo para o que realmente significa a Quaresma.

"Virão dias - oráculo do Senhor Javé - em que enviarei fome sobre a terra, não uma fome de pão, nem uma sede de água, mas (fome e sede) de ouvir a palavra do Senhor. Andarão errantes de um mar a outro, vaguearão do norte ao oriente; correrão por toda parte buscando a palavra do Senhor, e não a encontrarão" (Amós 8, 11-12).



Oração a São José para antes do trabalho (São Pio X)


Glorioso São José, modelo de todos os que se dedicam ao trabalho, obtende-me a graça de trabalhar com espírito de penitência para expiação de meus numerosos pecados; de trabalhar com consciência, pondo o culto do dever acima de minhas inclinações; de trabalhar com recolhimento e alegria, olhando como uma honra empregar e desenvolver pelo trabalho os dons recebidos de Deus; de trabalhar com ordem, paz, moderação e paciência, sem nunca recuar perante o cansaço e as dificuldades; de trabalhar sobretudo com pureza de intenção e com desapego de mim mesmo, tendo sempre diante dos olhos a morte e a conta que deverei dar do tempo perdido, dos talentos inutilizados, do bem omitido e da vã complacência nos sucessos, tão funesta à obra de Deus! Tudo por Jesus, tudo por Maria, tudo à vossa imitação, ó Patriarca São José! Tal será a minha divisa na vida e na morte. Amém.


sexta-feira, 24 de abril de 2009

A Santa Missa, nosso maior tesouro

É bem sabido para qualquer católico que se preze que a Santa Missa é nosso maior tesouro. Tesouro este que nos dias de hoje, infelizmente, não está ao nosso alcance com facilidade, na igreja mais próxima. Muitas vezes precisamos ir em busca desse tão grande tesouro...

No último sábado à noite, dia 18/02/09, eu, minha esposa e meu filho viajamos até a região de Campinas, mais precisamente a cidade de Sumaré, para visitar a avó de minha esposa. O plano era, no domingo, assistir a Santa Missa pela manhã, almoçar e no final da tarde voltarmos para São Paulo. Assim o fizemos...

Como decidimos já no sábado à noite a fazer essa visita, não tive tempo de confirmar o endereço e os horários das missas na Capela São Tomás de Aquino (fotos e informações aqui e aqui), que vi receber elogios no site Salvem a Liturgia, só sabia que ficava na escola de cadetes em Campinas. Fiquei um tanto decepcionado por ir tão próximo e não conhecer a capela, mas conformei-me em deixar para uma próxima oportunidade.

No domingo pela manhã fomos até a Paróquia São Miguel Arcanjo. Logo ao entrar, preocupou-me o fato de no lugar da imagem de Cristo crucificado, existir uma imagem de Cristo ressuscitado. Pensei comigo: bem, isso tanto pode significar um duvidoso gosto estético do pároco, quanto pode significar uma negação do sacrifício de Cristo por parte do mesmo (se duvida que isso seja possível, clique aqui para ler uma aterradora notícia). Após os acontecimentos, temo que ele se enquadre na segunda hipótese...

A banda ensaiava em alto e bom som...

Alguns minutos antes da Missa surge o sacerdote, que depois descobri o nome: Conêgo José Veríssimo Cibinel. Enquanto atravessava o presbitério, ajeitava-se dentro de sua alva que de tão amassada parecia ter sido retirada de dentro de uma apertada garrafa... E eu, de onde estava, podia ver que dentro da sacristia um grupo de mais ou menos sete pessoas vestiam capas com o mesmo recorte da dalmática utilizada pelos diáconos, eram leitores, comentaristas, MEC's, etc.

Minha esposa me faz uma tentadora proposta: "Vamos embora, procuramos outra igreja e assistimos a Missa à tarde". Eu, teimoso, insisto em ficar...

Começa a procissão de entrada, o Côn. José Veríssimo entra alegremente batendo palmas e acenando para as crianças, nem de longe parecia que iria "subir ao altar de Deus", como possivelmente rezou em sua primeira Missa.

Ao tomar o microfone, tive certeza que deveria ter aceitado a proposta de minha esposa. Se expressava pessimamente para um sacerdote. Então ele anunciou e um grupo de crianças chamados de "Pequeninos do Senhor" entrou em procissão.

O referido sacerdote se expressa da seguinte maneira em relação àquele grupo de crianças: "Eles vão celebrar a Missa ao modo deles lá no salão, pois se ficarem aqui não vão entender nada, não vão aproveitar nada, então vão lá celebrar a Missa deles. Mas só vão as meninas bonitas, as feias podem ficar aqui na igreja; e só vão os meninos espertos, os vagabundos também vão ficar aqui .... hahahahahaha".

O absurdo começa com a afirmação de que crianças vão "celebrar a missa ao modo delas", depois pensei o quão triste é um sacerdote por pra fora da igreja as crianças, elas que desde cedo deveriam se acostumar a estar na casa de Deus e a assistir a Santa Missa. Por outro lado, comecei a pensar que não estar ali na igreja seria até benéfico para elas, as pouparia de verem tanta bagunça e desrespeito para com a Liturgia, evitando que aprendam errado o que é a Missa.

Iniciada a celebração, o padre pula arbitrariamente o Ato Penitencial, indo direto para o canto do Glória (que seguindo o triste e errado costume atual no Brasil, teve sua letra alterada).

Após as leituras, Côn. José Veríssimo anuncia "Evangelho de Jesus Cristo segundo João" e vai para o centro do presbitério, então começa a narrar o Evangelho com suas próprias palavras!!! Quando chega no momento em que Nosso Senhor no Evangelho diz aos apóstolos "A paz esteja convosco!", o padre faz um sinal para a banda e essa passa a cantar "A paz esteja contigo, a paz esteja comigo, a paz esteja com ele, com ela e com todos os irmãos...".

Foi a gota d'agua!

Temendo o que poderia acontecer dali em diante, mais especificamente na consagração, olhei para minha esposa e disse: "Vamos?", ela concordou e nos retiramos. Foi a primeira vez que me retirei de uma igreja no meio da Santa Missa por causa de abusos, embora já tenha suportado muita coisa, mas nunca tinha visto tamanho indiferença e desrespeito com a Sagrada Liturgia.

Voltamos para a casa da avó de minha esposa. Comentei com um dos tios dela sobre a Capela São Tomás de Aquino na Escola de Cadetes. Ele disse que conhecia a Escola e que não ficava longe de onde estávamos, e ainda se ofereceu para ir comigo de moto até lá naquele momento, assim eu poderia conhecer o caminho e o horário da missa da tarde. Providência de Deus!

Então eu, que definitivamente não morro de amores por motos, me vi na garupa de uma, em plena Rodovia Anhanguera, em busca do Sacrifício de Cristo dignamente celebrado.

Caminho aprendido, horário confirmado, lá fomos nós à noite na Capela São Tomás de Aquino.

As fotos que indiquei acima testemunham a beleza da capela e a dignidade com que o pe. João Batista celebra o Santo Sacrifício da Missa. Música tranquila e de acordo com a liturgia, comunhão de joelhos e na boca, a consagração e a doxologia em latim, com direito a "Ite Missa est, Aleluia / Deo gratias, Aleluia" cantado no final.

Uma celebração simples, mas feita com muito zelo e dignidade. Depois do terrorismo liturgico que presenciei pela manhã, me vi no céu!

Enfim, por graça e providência de Deus, meu domingo foi salvo.

Rezemos pelo Conêgo José Veríssimo Cibinel para que possa ver o mal que está fazendo a seus paroquianos e passe então a celebrar com zelo e dignidade, nunca se esquecendo que deve celebrar cada Missa como se fosse a primeria, como se fosse a última, como se fosse a única!

Rezemos também pelo pe. João Batista, para que se mantenha firme na fidelidade a Nosso Senhor Jesus Cristo e à Sua Santa Igreja.


terça-feira, 14 de abril de 2009

Homenagem a Dom José Cardoso Sobrinho

Human Life International

premia a Arcebispo de Olinda e Recife


por defesa da vida


Human Life International é uma organização internacional cuja missão é a construção de uma cultura que evidencie e defenda a vida em contraponto àquela de morte que se instalou em todo o mundo.

“A Human Life International tem a honra de conceder a Dom José Cardoso Sobrinho, Arcebispo de Olinda e Recife, o Prêmio Cardeal Von Galen em reconhecimento por sua atitude heróica no cumprimento do ministério episcopal, na defesa da vida humana, ao enfrentar o desagrado de tantos que promovem a cultura da morte”.

Agindo em nome das associações católicas pró-vida em mais de 80 países do mundo, a *Human Life International* concede o Prêmio Cardeal Von Galen a personalidades – especialmente Prelados – que se destacam na defesa da sacralidade da vida conforme a Lei de Deus proclamada pela Igreja Católica.

O Prêmio leva o nome do Bem-Aventurado Clemens August Von Galen (1878-1946), bispo de Münster (Alemanha) durante a era nazista, o qual, levantou sua voz em defesa dos pobres e dos doentes, protestando contra a eutanásia, a perseguição dos judeus e a expulsão dos religiosos. Por causa de sua coragem, ficou conhecido como o “Leão de Münster”. O lema que escolheu quando foi eleito bispo foi “Nem elogios nem ameaças” (me distanciarão de Deus).

O Prêmio já foi concedido a outros prelados que se destacaram em iniciativas em defesa da vida e da moral católica, como o Cardeal Lopez Trujillo, o Cardeal Tumi de Benin, Dom Antonio Arregui, arcebispo de Guayaquil e presidente da Conferência Episcopal Equatoriana, e muitos outros em vários países.

O cardeal Von Galen demonstrou coragem ao enfrentar os nazistas, desvelando a verdade sobre a ideologia do nazismo, defendendo a liberdade da Igreja e das associações católicas, bem como a educação religiosa. Acusou abertamente o nazismo de discriminação contra os cristãos, os quais eram encarcerados e assassinados. Condenou outros abusos do governo totalitário, lutou pelo direito à vida e denunciou de modo veemente o massacre das pessoas deficientes físicas e mentais consideradas “inúteis”.

*Dom José Cardoso Sobrinho* se destacou pelo empenho com que lutou pelos gêmeos nascituros daquela pobre menina grávida de apenas 9 anos de idade, em face de tanto negativismo, sobretudo em vários setores da mídia

O Mons. Ignacio Barreiro-Carámbula, JD, STD, chefe do bureau da *Human Life International* em Roma, virá ao Recife em nome do Rev. Padre Thomas Euteneuer, Presidente do *Human Life International* e entregará pessoalmente a Dom José o Prêmio Cardeal Von Galen*.*

A solenidade para outorga do Prêmio será no dia *16 de abril de 2009, às 20 horas, no auditório do Colégio Damas,* à Av. Rui Barbosa, 1426, no bairro dos Aflitos, no Recife.


domingo, 12 de abril de 2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Via-Sacra dos inocentes

ATENÇÃO: HÁ IMAGENS FORTES



As imagens abaixo são fortes, mas creio ser oportuno mostrá-las. São imagens que os movimentos abortistas escondem, caso contrário ficaria nítido a monstruosidade que defendem.

Será que as inúmeras mulheres que se submetem a um aborto, principalmente as que são influenciadas por ONG's abortistas, o realizariam se vissem o que acontece com a pequena e indefesa vida que traz em seu ventre?

Aliás, ventre criado por Deus para ser recanto de amor e de aconchego, porto seguro da vida que está se formando desde o primeiro instante da concepção. Ventre que tristemente acaba se tornando calabouço, local de terror e de morte...

A propósito, você já viu a reação desesperada de um bebê de 12 semanas ao ser vítima de um aborto? Não? Então assista a parte 3 do documentário "O Grito Silencioso" (clique aqui). O documentário é do médico dr. Bernard Nathanson, que de abortista convicto converteu-se a ardoroso militante pró-vida após ver, através de uma ultra-sonografia, o quão terrível era o ato que por milhares de vezes repetiu.

Todas essas imagens escancaram exatamente o que é o aborto: um assassinato. E assassinato de uma vida inocente e indefesa. Indefesa porque não pode reagir, se torna refém de sua própria mãe e dentro de sua própria "casinha". A vida a qual esse bebê tem um inalienável direito, lhe é brutalmente tirada.








Via-Sacra dos inocentes

Texto: Richard Thaimann





1- CONDENAÇÃO










Eu fui condenado à morte antes de ter nascido.

A mim ninguém deu amor, pois a mim ninguém quer.












2- JESUS COM A CRUZ







Carregaram-me com a maldição de ser indesejado.

Todos me amaldiçoam, terei de ser “eliminado”.










3- PRIMEIRA QUEDA




Eu sou um pecado, “uma queda”.

“Ninguém pode ser obrigado a carregar o erro de uma gravidez não desejada!”







4- ENCONTRO COM A MÃE
















Quão doloroso, Senhor, foi o teu encontro!

Eu... eu não tenho mãe que me encontre e chore!

Eu estou encarcerado no ventre de uma mulher que manda me matar!






5- O CIRINEU




Alguém ajudou-te a levar a cruz.

A mim... a mim ninguém ajuda!

O médico dará à mamãe um narcótico para que ela não sofra quando eu sofrer a morte!







6- A VERÔNICA




Oh! Quem me dera uma Verônica que me consolasse na minha condenação!

Ninguém sabe da minha situação!

A “lei” cala os próprios cristãos!








7- SEGUNDA QUEDA




É fácil mandar me matar enquanto sou pequeno!

Meu pai faz cálculos; quanto vou lhe custar?

Minha morte sai “mais barato”!

Daí... tenho que morrer!






8- AS MULHERES




De que te serviram, Senhor, as lágrimas das mulheres?

Não puderam impedir a tua morte!

De que me valem as “leis”? “Legalizam” a minha morte!






9- TERCEIRA QUEDA


















A queda é fatal: eu tenho que morrer!

Estão confirmados os cálculos: não há lugar para mim! Não há um pedacinho de pão para mim neste vale de lágrimas.

Tenho que morrer!






10- JESUS DESPIDO




A ti despiram-te de suas vestes. Eu nunca tive uma veste!

Apenas a minha pele.

Mas mesmo assim... agarram-me com segurança!






11- CRUCIFICAÇÃO


















A ti pregaram numa cruz.

A mim partem em pedaços.

E também “contam todos os pedacinhos...” para terem a certeza de que mamãe não ficará com infecção.






12- MORTE NA CRUZ




Tu morres.

Eu também.

Tu és inocente.

Eu também.

Lembra-te de mim quando entrares no teu Reino... no teu Reino de Vida Eterna.






13- DESCIDO DA CRUZ




Morto, pudeste repousar no regaço de quem nasceste...

Mas a mim renovam-me apenas a maldição...

Porque serei uma carga a pesar... na consciência!







14- NO TÚMULO
















A ti ofereceram um túmulo.

Para mim, apenas o monturo de lixo!

Lá esperarei o Juízo Final, quando terei de fazer o meu depoimento contra “meus pais”.